Por que Escrever? Por que Blogar?

Há momentos em que me pergunto se realmente vale a pena investir tanto tempo e dinheiro em meus blogs.

O tempo é o recurso mais precioso — porque vai se esvaindo a cada dia que passa, algo que é extremamente importante quando o seu “estoque de tempo” não é lá mais essas coisas…

O dinheiro, diferentemente do tempo, é um recurso mais flexível: é sempre possível fazer um esforço concentrado para ganhar um pouco mais, mesmo quando se tem a minha idade. E, quem sabe, é possível arranjar algum patrocínio — é só falar bem (ou não falar mal) da Dillma, do Lulla e do PT que os patrocínios oficiais vêm até você… Mas o preço, como todos sabem, é demasiado caro.

Comecei escrever textos não-epistolares em 1961, quando entrei, como interno, no Instituto José Manuel da Conceição, em Jandira, SP, no mês de Fevereiro de 1961 (os epistolares comecei escrever quando tinha uns sete anos — 65 anos atrás). Em três meses fará 55 anos que escrevo regularmente — às vezes de forma quase obsessiva.

O meu blog principal (Liberal Space, que ora estou desmembrando num processo de reengenharia organizacional), que teve início onze anos atrás (aniversário em 4 de Dezembro), já está com quase mil artigos. Contando os posts espalhados pelos demais blogs meus que já existem, são bem mais de mil os meus artigos em blogs. Além deles há os vários artigos que comecei a escrever e não terminei — ou que escrevi e resolvi não publicar naquela hora. Vou ver se dedico o ano de 2016 para botar essas coisas todas em ordem.

Mas estou fugindo do tópico deste post: por que blogar?

A pergunta pode ser desdobrada em pelo menos outras duas:

  • Por que escrever?
  • Por que optar por usar o blog como forma de publicar e distribuir o que se escreve?

A primeira pergunta é mais fácil de responder para qualquer um que se considera um escritor (e eu me considero um escritor com quase 55 anos de “carreira”): escrever se torna facilmente uma obsessão, depois de você começar e pegar gosto pela coisa. . . Não há como fugir dessa atividade. Às vezes escrevo notas e bilhetes para mim mesmo — importantes e nem tanto. Às vezes começo um projeto com fúria, dedico muitos dias a ele, e depois começo outro, deixando o anterior na prateleira — num certo tipo de limbo… E há muitos projetos que nem comecei ainda… mas que já são projetos.

[Em parênteses, uma citação de Rainer Maria Rilke, que peguei de um comentário a este post feito por minha amiga Daisy Grisolia:

“Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: “Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples “sou”, então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão.” (Rainer Maria Rilke)]

A segunda pergunta tem uma resposta meio ambígua e muito pessoal. Sou perfeccionista (ao meu jeito). Não gosto de publicar artigos em revistas e periódicos impressos, ou livros impressos, porque assim que vou ler a cópia impressa “definitiva”, começo a achar coisas que eu gostaria de mudar — mas daí é tarde demais. O blog tem essa enorme vantagem: eu escrevo e publico, mesmo que não esteja 100% a meu gosto — (fato que me ajuda a domar o perfeccionismo, porque sei que posso corrigir, melhorar ou expandir o texto na hora que eu quiser. Com blogs, eu estou em controle total do “medium” (ou da mídia, como se diz por aí, em que mídia se refere tanto à mídia em geral como a um “medium” — e em que se fala com naturalidade das mídias eletrônicas, por exemplo).

[Outro parêntese. Sobre os blogs, eis o que diz minha amiga Daisy Grisolia:

Quanto aos blogs, que Rilke não teve a oportunidade de conhecer, mas que Saramago experimentou dando origem a O Caderno, ao contrário dos romances e textos elaborados, que resistem ao tempo, eles são o oposto, são o registro do instante na reflexão, na escrita e na leitura. São o espaço de tomada de opinião, imediata, ao sabor dos acontecimentos. E que, talvez, só muito tempo depois (novamente o tempo), possam se encaixar em uma figura com sentido maior, como as peças de um quebra cabeças que não sabemos ainda estar montando. Nesse sentido, continue escrevendo.”

Tenho dúvida de o blog, pelo menos de pronto, se preste tão somente, ou preferencialmente, ao imediato e efêmero, e não ao longo prazo e mais permanente. Mas esta é uma questão a conferir.]

É isso. Este é meu primeiro artigo neste novo blog que apresenta a blogaiada. Não vou escrever muito aqui: este é um espaço meio “meta”.

Em Salto, 31 de Outubro de 2015
Dia da Reforma Protestante

Advertisements


Categories: Writing

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: