60 Anos de Carreira de Escritor em 2021

[NOTA 1: Publiquei este artigo originalmente em 13/7/2011 no meu blog Liberal Space, no URL https://liberal.space/2011/07/13/50-anos-de-carreira. O título original era: “50 Anos de Carreira”. O artigo continua sem alterações no título ou no conteúdo nesse blog.]

[NOTA 2: Transcrevi o artigo aqui neste blog Chaves Space em 31/10/2015, como o terceiro artigo neste novo espaço, mantendo, então, o título original, e sem  fazer qualquer alteração no conteúdo. Considerei o artigo de certo modo relevante aos meus dois posts iniciais de apresentação do novo blog, que se designava “Gateway to my Blogs“, e que se dispunha a discutir, entre outras coisas, questões teóricas e autobiográficas relacionadas à minha atividade literária… O primeiro artigo apresentava o novo blog (tendo por título “Sobre este Space”) e o segundo focava a questão do “Por que Escrever? Por que Blogar?”.]

[NOTA 3: Em 1/1/2016 eu atualizei o título do artigo, que passou a ser “55 anos de Carreira de Escritor em 2016” e não fiz nenhuma outra alteração.]

[NOTA 4: Em 22/11/2019 eu atualizei o título do artigo, que passou a ser “58 Anos de Carreira de Escritor em 2019” e não fiz nenhuma outra alteração.]

[NOTA 5: Em 14/9/2021 eu atualizei o título do artigo, que passou a ser “60 Anos de Carreira de Escritor em 2021” e fiz pequenas mudanças e alguns acréscimos no conteúdo, identificados por estarem dentro de colchetes, como este. Material entre parênteses vem do original. Neste ano de 2021, portanto, o artigo completa dez anos e com a mudança do título o seu endereço também mudou, agora para o URL https://chaves.space/2015/10/31/60-anos-de-carreira-de-escritor-em-2021 .]

Todo mundo anda fazendo 50 anos de carreira ultimamente… O Erasmo Carlos, o Tremendão, foi o último, no fim de Junho deste ano [2011]. Mas o Roberto Carlos fez antes dele, em 2009. O Renato Aragão, por sua vez, emplacou 50 de palhaçadas em 2010. O Chico Buarque também andou fazendo, se bem me lembro. E assim vai. Eu já era gente bem crescidinha quando eles todos começaram.

É um exercício interessante tentar definir o início da carreira da gente. Será que a gente tem consciência, na hora que está fazendo algo, que aquilo que a gente está fazendo vai ser o primeiro passo de uma longa carreira? Ou será que a gente só define o início da carreira em retrospectiva, depois que descobriu o que a gente realmente fez na vida?

Ao ver tanta gente mais ou menos da minha idade comemorando 50 anos de carreira, resolvi pensar sobre a minha carreira. E de pronto me envolvi em grandes dificuldades.

O grande problema que tive de enfrentar foi: qual é (foi, tem sido) a minha carreira? É possível dizer que seja a de Professor Universitário. Mas se é isso, quando a comecei? No dia em que dei minha primeira aula de Lógica na California State University at Hayward [hoje at East Bay], em Hayward, CA, EUA, no Outono americano de Setembro de 1972? Ou será que foi quando recebi a carta me oferecendo o emprego? Além disso, não gostei da ideia porque, se fosse isso, eu só iria comemorar 50 anos de carreira, querendo Deus, em 2022, daqui a onze longos anos. E se eu chegar a 2022, será que chegarei no exercício dessa carreira, para que possa comemorar 50 anos dela?

Pensei um pouco mais e decidi resolver o problema de vez de uma vez por todas. Determinei que a minha carreira é a de Escritor – e decretei que ela começou em 1961, quando produzi meu primeiro trabalho escrito, enquanto cursava o primeiro ano do Curso Clássico do Instituto “José Manuel da Conceição” (JMC), em Jandira, SP. O trabalho teve o título “Pobre Muda de Dono mas não Muda de Sorte: Inspirado nas Fábulas de Esopo e de Fedro”, e foi escrito para a disciplina Língua Portuguesa, ministrada por meu caro mestre, Rev. Joaquim Machado. Eu ainda tenho esse trabalho, manuscrito, passado a limpo e em rascunho (este a lápis), redigido em folhas de caderno, com data de 9 de Abril de 1961.

Antes desse trabalho creio que só escrevi cartas para a minha avó Angelina, para a minha Tia Alice e para os meus primos Anello e Márcia. Lembro-me também de ter escrito umas bobagenzinhas adolescentes nos Livros de Recordação de minhas primas Irene e Idília e de algumas amigas. Creio que elas me pediram para escrever um pouco por condescendência, pois eu era pouca coisa mais do que um pirralho na época e não merecia a honra… Além disso era primo, e o tal livro era destinado a avaliar os méritos literários (e a caligrafia, coisa importante então) dos diversos pretendentes… Principalmente a Irene tinha uma fila deles. Esnobou a todos e quase ficou solteirona…

Assim, fica para todo sempre decidido que o meu primeiro trabalho para o curso do “Machadinho” (era assim que nos referíamos ao professor, quando a uma distância confortável) foi o início da minha carreira de escritor, em 9 de Abril de 1961. Eu tinha dezessete anos e meio. [“Machadinho” também é o apelido daquele que se tornou o meu terceiro sogro: José de Oliveira Machado Neto.]

Assim, também estou comemorando este ano 50 [em 2011; 60 em 2021] anos de carreira. Foi nesse abençoado ano de 1961 que eu fui estudar no JMC e comecei minha vida de adulto – e minha vida profissional, pois carreira é um negócio pelo menos em parte profissional. Foi nesse ano que também preguei meu primeiro sermão – mas essa foi uma outra carreira que abandonei há muito tempo. Meus sermões, agora, são todos por escrito, aqui neste blog… E foi nesse ano que, no auge dos meus 17 anos, e mais ou menos na mesma data, eu me apaixonei seriamente pela primeira vez, pela Reaci Camargo, de Fartura. Faz 50 anos [em 2011; 60 em 2021]. (O Rev. Elizeu Cremm, hoje meu pastor, então apenas meu amigo e colega, também se apaixonou, ele pela Marly, que hoje é esposa dele. No caso deles, a coisa durou. No meu caso, não passou do primeiro ano na escola).

Depois desse primeiro trabalho, escrevi vários outros, em especial para o Rev. Renato Fiuza Telles (que chamávamos de “Renatinho”), meu professor de Literatura Portuguesa e Brasileira. Um deles, “As Cartas de Amor de Soror Mariana Alcoforado para o Cavaleiro de Chamilly”, me deu muito trabalho, pois precisei ir três vezes até a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo, para conseguir ler o livrinho inteiro com as cartas apaixonadas da freirinha portuguesa que se perdeu de amor por um oficial do exército francês. O trabalho me marcou tanto que hoje tenho duas cópias do livrinho, uma antiga, igual à que havia na biblioteca, a outra editada recentemente e vendida, por incrível que pareça, numa banca de jornal da Av. Paulista, em frente ao Conjunto Nacional. Outros trabalhos: A Carta de Achamento de Pero Vaz de Caminha (em que ele pede ao Rei um emprego para o genro), e mini-ensaios sobre Damião de Góis e sobre Oliveira Martins.

No curso de Literatura Brasileira – que também era ministrado pelo Renatinho – escrevi sobre Casemiro de Abreu (“O Poeta do Exílio”) e sobre Machado de Assis, e elaborei um sofisticado trabalho (para alguém de 18 anos) sobre Dom Casmurro de Machado de Assis: “Capitu, Culpada ou Inocente?” O título parecia original naquela época. Hoje é batido.

No curso de Redação em Língua Portuguesa, ministrado, nos dois semestres, em 1963, pelo Rev. Joaquim Machado, que era pai da minha amiga Dorotéa Machado Kerr, organista e maestrina de fama internacional (já tocou até para o Papa!), escrevi um trabalho sobre “Brasília, Capital da Esperança” (hoje reconheço aí um chavão), a propósito da inauguração da (então) nova capital… Esse trabalho foi submetido a um concurso de melhor redação (que, infelizmente, não ganhei – não me lembro quem venceu). Para avaliação pela banca, assinei-o com um pseudônimo: Dias de Caxuque.

Meus dotes literários e oratórios foram, quero crer, apreciados pelos meus pares, pois fui escolhido por eles para ser o Orador da Turma, quando de nossa formatura, em Novembro de 1963 – mês da morte de John Fitzgerald Kennedy. (No dia em que ele morreu, 22 de Novembro, nós, os formandos do Clássico e do Ginásio, estávamos em nossa Viagem de Formatura, naquele dia em uma praia em Florianópolis. Fomos levados por um ônibus da Viação São João da Boa Vista – São Paulo, dirigido por um motorista que era meu xará).

Em homenagem aos meus 50 anos de carreira, resolvi compilar uma lista de tudo o que já escrevi e, de alguma forma, divulguei. Incluí na lista trabalhos de escola, como os que acabei de mencionar (e outros) e os escritos na Graduação, no Mestrado e no Doutorado. Tenho-os todos. Incluí, naturalmente, os trabalhos publicados e os de tradução, bem como os divulgados apenas pela Internet – inclusos aí os artigos do meu blog mais antigo, Liberal Space, onde originalmente publiquei este artigo, que chegou, com este aqui, a 735 artigos. Ao todo, chegaram os meus artigos a 973 unidades [em 2011]. Se eu me cuidar bem, chego à marca do Pelé: mil gols literários… [Dados atualizados em 14/9/2021, colocam o total dos meus artigos nos meus diversos blogs (mais de vinte) acima de 1.500].

Concluí, ao analisar os números, que, apesar de minha idade quase vetusta, a Internet liberou os meus dotes de escritor e me deixou soltinho, livre para escrever e até mesmo criar um certo estilo…

Como ninguém mais, além de mim, iria se lembrar de tudo isso, resolvi me prestar essa merecida homenagem e comemorar, em 2011, o meu laborioso e produtivo ano de 1961 e os meus 50 anos de carreira como escritor. [E estou comemorando de novo os anos de carreira em 2021, agora 60. Consegui chegar até lá!].

Em São Paulo, em 13 de Julho de 2011 [50 anos], no meu blog Liberal Space.

Transcrito neste blog Chaves Space (https://chaves.space) em Salto, em 31 de Outubro de 2015 [54 anos], mantendo o título original.

Editado e renomeado em Salto, em 1 de Janeiro de 2016 [55 anos].

Editado e renomeado em Salto, em 22 de Novembro de 2019 [58 anos].

Editado e renomeado para o atual título, com a devida alteração no URL, em Salto, em 14 de Setembro de 2021 [60 anos].



Categories: Autobio, History, Writing

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