65 Anos de Carreira de Escritor em 2026

[NOTA 1: Publiquei originalmente este artigo em 13.7.2011 no meu blog Liberal Space, no URL https://liberal.space/2011/07/13/50-anos-de-carreira. O blog e a versão original do artigo, que tinha o título de “50 Anos de Carreira”, permanecem no blog Liberal Space.]

[NOTA 2: Cerca de dez anos depois, em 14.9.2021, republiquei-o aqui, neste blog, Chaves Space, que se tornou meu blog principal. O artigo, em si, não sofreu nenhuma alteração substantiva (vide a seguir), mas seu título foi atualizado para “60 Anos de Carreira de Escritor em 2021” Quanto ao texto, em si, fiz pequenas mudanças e alguns acréscimos, identificados por estarem entre colchetes. E, naturalmente, acrescentei a NOTA 1 e a NOTA 2, que, coerentemente, ficam entre colchetes. Mas material entre parênteses, no texto, vem do original. Neste ano de 2021, portanto, o artigo completa dez anos e, com a mudança do título, o seu endereço também mudou, agora para o URL https://chaves.space/2015/10/31/60-anos-de-carreira-de-escritor-em-2021. ]

[NOTA 3: Na data de 1.5.2026, que, para mim, agora, é hoje, republiquei o artigo aqui neste blog, Chaves Space, atualizando o seu título para “65 Anos de Carrreira em 2026“, que afeta o seu endereço, que passa a ser https://chaves.space/2026/05/01/65-anos-de-carreira-de-escritor-em-2026. E acrescentei esta Nota.]

o O o O o

Todo mundo anda fazendo 50 anos de carreira ultimamente… O Erasmo Carlos, o Tremendão, foi o último, no fim de Junho deste ano [2011]. Mas o Roberto Carlos fez antes dele, em 2009. O Renato Aragão, por sua vez, emplacou 50 de palhaçadas em 2010. O Chico Buarque também andou fazendo, se bem me lembro. E assim vai. Eu já era gente bem crescidinha quando eles todos começaram.

É um exercício interessante tentar definir o início da carreira da gente. Será que a gente tem consciência, na hora que está fazendo algo, que aquilo que a gente está fazendo vai ser o primeiro passo de uma longa carreira? Ou será que a gente só define o início da carreira em retrospectiva, depois que descobriu o que a gente realmente fez na vida?

Ao ver tanta gente mais ou menos da minha idade comemorando 50 anos de carreira, resolvi pensar sobre a minha carreira. E de pronto me envolvi em grandes dificuldades.

O grande problema que tive de enfrentar foi: qual é (foi, tem sido) a minha carreira? É possível dizer que seja a de Professor Universitário. Mas se é isso, quando a comecei? No dia em que dei minha primeira aula de Lógica na California State University at Hayward [hoje at East Bay], em Hayward, CA, EUA, no Outono americano de Setembro de 1972? Ou será que foi quando recebi a carta me oferecendo o emprego? Além disso, não gostei da ideia porque, se fosse isso, eu só iria comemorar 50 anos de carreira, querendo Deus, em 2022, daqui a onze longos anos. E se eu chegar a 2022, será que chegarei no exercício dessa carreira, para que possa comemorar 50 anos dela?

Pensei um pouco mais e decidi resolver o problema de vez de uma vez por todas. Determinei que a minha carreira é a de Escritor – e decretei que ela começou em 1961, quando produzi meu primeiro trabalho escrito, enquanto cursava o primeiro ano do Curso Clássico do Instituto “José Manuel da Conceição” (JMC), em Jandira, SP. O trabalho teve o título “Pobre Muda de Dono mas não Muda de Sorte: Inspirado nas Fábulas de Esopo e de Fedro”, e foi escrito para a disciplina Língua Portuguesa, ministrada por meu caro mestre, Rev. Joaquim Machado. Eu ainda tenho esse trabalho, manuscrito, passado a limpo e em rascunho (este a lápis), redigido em folhas de caderno, com data de 9 de Abril de 1961.

Antes desse trabalho creio que só escrevi cartas para a minha avó Angelina [Claro Godoy de Campoas], para a minha Tia Alice [de Campos Sanvido] e para os meus primos Anello [Sanvido Filho] e Márcia [de Campos Sanvido]. Lembro-me também de ter escrito umas bobagenzinhas adolescentes nos Livros de Recordações de minhas primas Irene e Idília e de algumas amigas. Creio que elas me pediram para escrever um pouco por condescendência, pois eu era pouca coisa mais do que um pirralho na época e não merecia a honra… Além disso era primo, e o tal livro era destinado a avaliar os méritos literários (e a caligrafia, coisa importante então) dos diversos pretendentes… Principalmente a Irene tinha uma fila deles. Esnobou a todos e quase ficou solteirona… [Quase, insisto.]

Assim, fica para todo sempre decidido que o meu primeiro trabalho para o curso do “Machadinho” (era assim que nos referíamos ao professor, quando a uma distância confortável) foi o início da minha carreira de escritor, em 9 de Abril de 1961. Eu tinha dezessete anos e meio. [“Machadinho” também é o apelido daquele que se tornou o meu terceiro sogro: José de Oliveira Machado Neto. E “Oliveira” também é sobrenome de minha avó paterna, Alvina Jacintha de Oliveira Chaves.]

Assim, também estou comemorando este ano 50 [em 2011; 60 em 2021; 65 em. 2026] anos de carreira. Foi nesse abençoado ano de 1961 que eu fui estudar no JMC e comecei minha vida de adulto – e minha vida profissional, pois carreira é um negócio pelo menos em parte profissional. Foi nesse ano que também preguei meu primeiro sermão – mas essa foi uma outra carreira que abandonei há muito tempo. [O mais correto é dizer que ela foi abortada pela liderança da Igreja Presbiteriana do Brasil em Julho-Agosto de 1966]. Meus sermões, agora, são todos por escrito, aqui neste blog… E foi nesse ano [1961] que, no auge dos meus 17 anos, e mais ou menos na mesma data, eu me apaixonei seriamente pela primeira vez, pela Reaci Camargo, de Fartura. Faz 50 anos [em 2011; 60 em 2021, 65 em 2026. Ela continua firmona lá, hoje viúva com três filhos e alguns netos. Continuamos amigos.]. (O Rev. Elizeu Rodrigues Cremm, hoje meu pastor [“no más”], então apenas meu amigo e colega, também se apaixonou, ele pela Marly, que hoje ainda é esposa dele. [Que Deus. os preserve.]. No caso deles, a coisa durou. No meu caso, não passou do primeiro ano na escola).

Depois desse primeiro trabalho, escrevi vários outros, em especial para o Rev. Renato Fiuza Telles (que chamávamos de “Renatinho”), meu professor de Literatura Portuguesa e Brasileira. Um deles, “As Cartas de Amor de Soror Mariana Alcoforado para o Cavaleiro de Chamilly”, me deu muito trabalho, pois precisei ir três vezes até a Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade, em São Paulo, para conseguir ler o livrinho inteiro com as cartas apaixonadas da freirinha portuguesa que se perdeu de amor por um oficial do exército francês. O trabalho me marcou tanto que hoje tenho duas cópias do livrinho, uma antiga, igual à que havia na biblioteca, a outra editada recentemente e vendida, por incrível que pareça, numa banca de jornal da Av. Paulista, em frente ao Conjunto Nacional. Outros trabalhos: “A Carta de Achamento de Pero Vaz de Caminha” (em que ele pede ao Rei um emprego para o genro), e mini-ensaios sobre Damião de Góis e sobre Oliveira Martins.

No curso de Literatura Brasileira – que também era ministrado pelo Renatinho – escrevi sobre Casemiro de Abreu (“O Poeta do Exílio”) e sobre Machado de Assis. Nesse trabalho elaborei uma sofisticada argumentação ético-jurídica (para alguém de 18 anos) sobre Dom Casmurro de Machado de Assis: “Capitu, Culpada ou Inocente?” O título parecia original naquela época. Hoje é batido.

No curso de Redação em Língua Portuguesa, ministrado, nos dois semestres, em 1963, pelo Rev. Joaquim Machado, o “Machadinho”, que era pai da minha [até hoje, 2026, querida] amiga Dorotéa Machado Kerr, organista e maestrina de fama internacional (já tocou até para o Papa!), escrevi um trabalho sobre “Brasília, Capital da Esperança” (hoje reconheço aí um chavão), a propósito da inauguração da (então) nova capital… Esse trabalho foi submetido a um concurso de melhor redação (que, infelizmente, não ganhei – não me lembro quem venceu). Para avaliação pela banca, assinei-o com um pseudônimo: Dias de Caxuque.

Meus dotes literários e oratórios foram, quero crer, apreciados pelos meus pares, pois fui escolhido por eles para ser o Orador da Turma, quando de nossa formatura, em Novembro de 1963 – mês da morte de John Fitzgerald Kennedy. (No dia em que ele morreu, 22 de Novembro, nós, os formandos do Clássico e do Ginásio, estávamos em nossa Viagem de Formatura, naquele dia em uma praia em Florianópolis. Fomos levados por um ônibus da Viação São João da Boa Vista – São Paulo, dirigido por um motorista que era meu xará). [E naquele mesmíssimo dia, daquele mesmo ano também morreram C. S. Lewis e Aldous Huxley. Notável coincidência, triplicando. a perda para o mundo.].

Em homenagem aos meus 50 anos de carreira, resolvi compilar uma lista de tudo o que já escrevi e, de alguma forma, divulguei. Incluí na lista trabalhos de escola, como os que acabei de mencionar (e outros) e os escritos na Graduação, no Mestrado e no Doutorado. Tenho-os todos. Incluí, naturalmente, os trabalhos publicados e os de tradução, bem como os divulgados apenas pela Internet – inclusos aí os artigos do meu blog mais antigo, Liberal Space, onde originalmente publiquei este artigo, que chegou, com este aqui, a 735 artigos. Ao todo, chegaram os meus artigos a 973 unidades [em 2011, e passaram de 1050 em 2026.]. Se eu me cuidar bem, chego à marca do Pelé: mil gols literários… [Passei e fui além. Dados atualizados em 14/9/2021, colocam o total dos meus artigos nos meus diversos blogs (mais de vinte) acima de 1.500. Hoje estão bem acima desse número].

Concluí, ao analisar os números, que, apesar de minha idade quase vetusta, a Internet liberou os meus dotes de escritor e me deixou soltinho, livre para escrever e até mesmo criar um certo estilo… [Más línguas vão dizer que a Internet, mais do que papel, aceita tudo, até “fake news”, mas a qualidade do artigo — que é variável, admito — está à disposição de quem quiser avaliá-la.]

Como ninguém mais, além de mim, iria se lembrar de tudo isso, resolvi me prestar esta [acredito] merecida homenagem e comemorar, em 2011, o meu laborioso e produtivo ano de 1961 e os meus 50 anos de carreira como escritor. [E estou comemorando de novo os anos de carreira em 2021, agora 60. E em 2026, agora 65. Consegui chegar até lá! Mas tudo tem seu preço: estou mais perto do fim da carreira do que estava antes. Vamos ver até que ano eu chego…].

[O original, em São Paulo, em 13 de Julho de 2011 [50 anos], no meu blog Liberal Space (https://liberal.space).]

[As versões posteriores, inclusive esta, em Salto, SP, no meu blog Chaves Space (https://chaves.space) em 14 de Setembro de 2021 e 1º de Maio de 2026.

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Eduardo Chaves



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