A Esquerda: Um Bando de Hipócritas (segundo Dinesh D’Souza)

Há um vídeo, disponível no Youtube, em que Dinesh D’Souza, um indiano, naturalizado americano, nascido em Bombain, em 1961, discute com estudantes de uma instituição de ensino superior americana, de elite, chamada Amherst College. D’Souza é um intelectual de direita, que trabalhou com Ronald Reagan quando este foi presidente (e D’Souza mal tinha completado vinte anos).

No vídeo, um aluno faz uma contestação, em que alega que o sistema, que ele considera imoral, de propriedade por conquista, na qual os EUA estariam fundados, faz com que todos os que, hoje, têm alguma propriedade, não tenham direito a ela, porque foi conseguida (ainda que lá atrás, através de seus antepassados), mediante roubo realizado com violência, e que a única forma de organização social, hoje, que é defensável, é a aquela baseada na justiça social, em que os que têm sustentam os que não, compartilhando com eles sua riqueza, e os que têm mais compartilham com os que têm menos.

Dinesh D´Souza contesta a colocação do aluno – com um argumento geral e um argumento ad hominem.

O argumento geral é o seguinte tem dois alicerces. Primeiro, é impossível determinar quem foram os habitantes originais dos locais em que hoje vivemos. Os portugueses, espanhóis, ingleses, franceses, holandeses, etc. que chegaram à América já a encontraram populada. Seria deles a terra? E se eles, ao chegarem aqui, sabe Deus vindo de ontem, já tivessem encontrados habitantes mais antigos, que eles conquistaram e dos quais tomaram a terra? Mesmo que fosse possível determinar a posse da terra desde, digamos, a criação (falando como se ela fosse um fato estabelecido), como saber se alguns dos proprietários que tomaram a terra não a venderam para seus proprietários subsequentes etc., não a abandonaram, tendo ela sido encontrada por outros, que simplesmente a ocuparam, etc. Isso é total e absolutamente inviável. Segundo, a única solução viável é a praticada pelos americanos (e muitos outros povos): reconhecer que a propriedade da terra ou de qualquer bem é de quem detém o seu uso e determinar que, a partir daquele momento, a transferência de propriedade da terra e de outros bens se fará mediante contratos legais fiscalizados por governos devidamente escolhidos pelo povo. O que passou, passou, e se começa tudo de novo, agora, em um ambiente regulamentado por lei, que é regulamentada e importa por governos. Tentar “corrigir a história” criaria problemas muito maiores, porque envolveria tirar a propriedade, da terra e de outros bens, de quem a detém, em muitos casos, ao longo de várias gerações.

O rapaz acha isso um absurdo. E gostaria de ver a justiça social, com radical redistribuição de renda, imposta pela força, desde já. Foi neste contexto que D’Souza aplicou-lhe o argumento ad hominem. Disse o seguinte ao rapaz (em palavras que cito de memória): “Você estuda em uma das faculdades mais elitistas dos EUA, caríssima, e o faz porque seus pais podem pagar, e eles podem pagar, segundo você argumenta, porque ou eles próprios, ou seus ancestrais, roubaram muitos bens de outras pessoas, até chegar aos indígenas que habitavam esta terra até por volta de 1500-1600. Mostre que você não é hipócrita, e acredita no que fiz, vai até a secretaria desta faculdade, e diz lá que você renuncia à sua vaga, transferindo-a para algum indígena ou negro, descendente de escravos, assumindo o compromisso que você e seus descendentes continuarão a pagar pelo uso dessa vaga por parte de algum pobre e oprimido. Se você não fizer isso, tenho o direito de chamá-lo de hipócrita, porque você quer que o governo roube os bens dos outros para distribuir para os pobres, mas não está disposto a abrir mão de seus privilégios – como o de estudar aqui. Pelo seu argumento, as propriedades que os ricos de hoje detêm foram obtidas por roubo – são bens roubados. Entre esses ricos, está a sua família. Quando a gente reconhece que os bens que a gente possui foram roubados (eu não reconheço isso no caso da minha família), o certo é devolvê-los a quem tem ou teria direito a ele. Sua vaga aqui em Amherst é um desses bens – um privilégio importantíssimo. Enquanto você não der aos pobres tudo que tem, não moral nenhuma para exigir que o governo confisque as propriedades de quem quer que seja para redistribuí-las a quem você acha que precisa. Se você não estiver disposto a fazer isso, eu tenho todo o direito de considerá-lo um hipócrita.”

E daí? Touché? Ou há alguma outra saída?

Veja o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=tN9bu6CP318&t=614s

Em Salto, 20 de Junho de 2024



Categories: Liberalism

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