As Supostas Injustiças do Capitalismo

Fuçando em papelada velha para ver se imponho um pouco mais de ordem em meu escritório, encontrei um exemplar da revista EXAME, de 11.6.2014, exatamente onze anos atrás, no dia de hoje (11.6.2025), cujo artigo de capa tem o título de “Por que o Capitalismo é tão Injusto?”

Ao ler o título do artigo, impresso em letras garrafais na capa da revista, e ao ver o gráfico criado, o de uma balança de dois pratos, em que, no prato da esquerda (eles aparentemente falharam no simbolismo aqui) está uma um homem bonito e elegante, com cara de executivo rico, e, no prato da direita, um monte de gente, com cara de trabalhador de nível mais baixo (operários, assistentes administrativos, etc.), e o prato do lado esquerdo está pesando bem mais…

Lembrei-me de quando comecei estudar Lógica, com o Prof. Rev. João Euclydes Pereira, no extinto Instituto José Manuel da Conceição, em Jandira, no ano de 1961. Ao expor as falácias informais, o professor explicou a razão de a pergunta “Por que você bate tanto em sua mulher?” ser falaciosa, e a razão, evidentemente, é que a pergunta pressupõe, sem provar ou mesmo explicitar o fato, que você bate muito em sua mulher. A pergunta da EXAME é do mesmo tipo. Ao perguntar “Por que o Capitalismo é tão Injusto?” o título do artigo pressupõe, sem provar ou mesmo explicitar o fato, que o Capitalismo seja muito injusto.

O que o artigo deveria tentar demonstrar, antes de perguntar o “Por quê?”, é o seguinte:

Primeiro, “O que é Justiça, o que significa ser justo?”

Segundo, “O que é o Capitalismo, o que significa dizer de um sistema socioeconômico que ele é capitalista?”

Terceiro, “Levando-se em contra o significado dos conceitos de Justiça e de Capitalismo, o Capitalismo é justo ou injusto, muito justo ou muito injusto?”

Quarto, e, finalmente, caso fique evidente, na resposta à pergunta anterior, que O CAPITALISMO É MUITO INJUSTO, perguntar “E por que o Capitalismo é tão injusto?”

Certo?

O artigo da EXAME pressupõe, sem explicitar e muito menos provar, que Justiça tem que ver com Igualdade – e com Igualdade, não no sentido formal, de que o Estado e a Lei devem tratar todo mundo de forma igual, mas, sim, no sentido material, de que uma Sociedade só é justa se todo mundo tem as mesmas características e o mesmo potencial e se todo mundo vive em condições socioeconômicas e financeiras idênticas, ou equicomparáveis. O artigo da EXAME pressupõe que uma sociedade só é justa se os cidadãos que nela vivem desfrutam de igualdade socioeconômica e financeira.

Em artigo posterior vou esmiuçar essas questões, com base em inúmeros artigos que já escrevi desde 1973, quando comecei a ler Ayn Rand em profundidade. Aqui só queria apontar a falácia contida na capa da revista EXAME.

Em Salto, SP, 11 de Junho de 2025



Categories: Liberalism

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