Novos Tempos, Novos Hábitos…

Hoje é dia 26 de Junho. Em 26 de Setembro do ano passado (2019), exatos nove meses atrás, morria o sr. João, nosso caseiro durante seis anos. Ficamos o tempo de uma gestação humana inteira sem caseiro. Durante uma parte do tempo, até o final de Fevereiro deste ano, a mulher dele, Da. Vânia, que trabalhava conosco como assistente doméstica, continuou conosco, trabalhando. Mas caseiro mesmo, digno do nome, não tivemos durante esse tempo todo. E assistente doméstica não temos desde o início de Março. Agora, em 16 de Junho, começou a trabalhar um novo caseiro, Sr. Marcelo. Hoje faz dez dias que está trabalhando e estamos muito felizes com ele. Crente da Assembleia de Deus, gente fina, trabalhador duro, mas calmo e tranquilo.

Durante o tempo em que não tivemos ajuda, adquirimos o hábito (mais a Paloma do que eu) de cuidar do sítio, na medida das possibilidades — ela com os estudos dela, eu com as minhas leituras e as minhas escritas. Mas alimentávamos diariamente os cachorros (seis), mais a Paloma do que eu, cuidávamos da piscina, de novo mais a Paloma do que eu, ela em geral arrumava algo frugal para a gente comer, eu lavava as louças e arrumava a cama, ela botava as roupas na máquina de lavar e nós dois as estendíamos no varal e as tirávamos do varal no dia seguinte, uma vez ou outra fazíamos uma faxina geral (mas meio meia-boca…). Com a pandemia, a partir da metade de Março, a coisa ficou pior, porque eu e o pai da Paloma, como idosos, fomos terminantemente proibidos de sair de casa por ela (não pela ditadória, mas pela ditapaloma). Por isso, recaiu sobre ela a tarefa de ir a supermercados (o Tenda ou o Sonda), açougue (a Casa de Carnes), padaria (a Casa Aliança, sempre), etc. Mesmo a São Paulo ela precisou ir algumas vezes. Não vimos nossas filhas, se não uma ou outra vez que elas vieram aqui, e não vimos nossos outros parentes (irmãos, cunhados, sobrinhos, sobrinhos-netos, etc.) e nossos amigos — nem mesmo nossos compadres queridos, Mary e Maurício Andrioli e sua família, que víamos com regularidade. Igreja, só no virtual — todos os domingos, a partir de 22 de Março. Restaurante, nenhuma vez. Duas vezes, encomendamos pizza (inclusive no Dia dos Namorados), mas a Paloma teve de ir pegar na pizzaria, porque eles não entregam na área rural.

Agora estamos tentando criar um “novo normal”… Firmamos compromisso de contrato apenas com o caseiro. Com sua mulher, Da. Cristiane, estamos experimentando um regime de diarista, duas vezes por semana. Concluímos que não há tarefas domésticas aqui em casa (só três pessoas) que consumam o trabalho de cinco dias inteiros por semana de uma pessoa. E, além disso, ela tem três filhos, um de cinco anos, que exigem o trabalho dela na casa dela. Assim, achamos esse meio termo. Ela cuidará das duas casas, da nossa e da que era de hóspedes mas agora é ocupada pelo Machado, pai da Paloma. E nós continuamos a nos virar com a comida, a louça, as roupas… O sr. Marcelo assume todo o trabalho externo, inclusive o cuidado com dos cachorros e da piscina, além do jardim, do pomar, da horta, das podas de árvore, da limpeza geral da área habitável do sítio. Cerca de 3/4 do sítio são arrendados para plantação, para as mesmas pessoas, pai e filho, há quase vinte anos. Já são parte da família, também.

Novos tempos, novos hábitos. Em parte, tanto os novos tempos como os novos hábitos.

Em Salto, 26 de Junho de 2020.



Categories: New Habits, New Times, Novos Hábitos, Novos Tempos, Uncategorized

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