50 Anos de Carreira Internacional…

Começo me desculpando pelo título exageradamente pomposo e chamativo – e só verdadeiro em um sentido relativo em que cada um constrói a sua narrativa. Explico-me.

Alguns anos atrás, em 2011, vendo que um monte de gente estava a celebrar tantas e quantas décadas de carreira, resolvi impor alguma ordem à minha.

Primeiro, havia a questão de identidade. O que é que realmente sou, do ponto de vista profissional? Qual a minha real carreira? Por muitos anos simplesmente me considerei professor universitário. Era isso que afirmava a minha Cédula de Identidade Profissional emitida pela UNICAMP. Assim, por muito tempo, de pelo menos 1972 em diante, fui isso. Mas me aposentei em 2007, trinta e cinco anos depois de passar a ser “isso” (embora ainda tenha feito uns bicos dando aula em faculdade, centro universitário e universidade). Mas o que era eu antes de ser professor universitário? E o que continuei a ser, depois de aposentado? E será que havia algo mais básico que eu, de certo modo, simplesmente continuei a ser enquanto fui professor? Cheguei uma conclusão: era, fui, e continuo sendo alguém que tem na palavra a sua matéria prima (para tomar emprestado uma bela metáfora de Ariano Suassuna), alguém que vive para escrever e falar – e analisar o que outros escrevem e falam. No meu caso, vivo mais para escrever do que para falar. Prefiro expressar-me por escrito do que oralmente. Defini-me, assim, profissionalmente, como escritor e palestrante – nessa ordem. Mesmo enquanto professor universitário, continuei sendo, basicamente, escritor e palestrante (minhas aulas sendo séries sequenciais de palestras).

Segundo, havia a questão do início dessa carreira. Quando é que iniciei essa carreira? Aqui foi mais fácil definir. Foi em 1961. Naquele ano, em que, em 7 de setembro, fiz dezoito anos, alcançando a maioridade, fui, ainda com dezessete, estudar fora, em colégio interno, no inesquecível Instituto “José Manuel da Conceição”, em Jandira, SP. Minha maioridade de facto começou meses antes de minha maioridade de jure, quando cheguei ao JMC, numa segunda-feira, 20 de Fevereiro, acompanhado de meu pai, Rev. Oscar Chaves, que levava ao instituto uma carta da Igreja Presbiteriana de Santo André, a original, da Rua 11 de Junho, me apresentando como estudante e futuro candidato ao ministério no Seminário Presbiteriano de Campinas, e se comprometendo a arcar com o custo de meus estudos lá. Levava uma mala grande com minhas tralhas: quase só roupas e uns poucos livros (entre eles a Bíblia, naturalmente; naquela época eu era bem crente). Lembro-me perfeitamente como saímos de casa, em Santo André, tomamos o ônibus, fomos até a estação da então Estrada de Ferro Santos Jundiaí (EFSJ), pegamos o trem subúrbio para a Estação da Luz, de lá andamos até a Estação Júlio Prestes (da Estrada de Ferro Sorocabana), e pegamos o outro trem subúrbio na direção de Itapevi, para descer uma estação antes, no km.32, em Jandira. Eu, sempre carregando a mala. Em Jandira, descemos, andamos morro acima até o Portal do JMC, fomos à Secretaria (a secretária, Isva Ruth Xavier, que não sei se, à época, já era Xavier, é minha querida amiga até hoje na Catedral Evangélica de São Paulo), fiz a matrícula, ganhei um quarto (compartilhado com o Jairo Rodrigues Monção, veterano, mas cursando a terceira série ginasial: eu iria cursar a primeira série colegial, embora mais jovem do que ele; logo troquei de quarto, indo morar com o Paulo Cosiuc, colega de infância de Santo André, que também foi para o JMC naquele ano, para cursar a segunda série do Ginásio), e fui deixado lá pelo meu pai, obtendo minha maioridade de facto. Ali, ao longo de 1961, escrevi minha primeira crônica e fiz minha primeira palestra (na realidade, uma pregação, numa congregação perto de Itapevi). A pregação, não me lembro sobre que assunto foi. Se escarafunchar, é bem possível que descubra. Mas não é tão importante quanto a crônica. Esta teve o título de “O Pobre Muda de Dono mas não Muda de Sorte”. Escrevi-a como parte das exigências da disciplina de Português, cujo professor era o rev. Joaquim Machado (o “Machadinho”), pai da então colega e desde então amida querida, a maestrina Dorothea Machado (depois Kerr). Se hoje o meu Português escrito é minimamente decente, eu o devo ao Machadinho. Em retrospectiva, decidi que estava lançada a minha carreira, tanto na vertente escrita como na oral. Na hora não tinha a mínima noção de que era isso que estava acontecendo. Nunca me passou pela cabeça, em 1961, que cinquenta anos depois eu estaria celebrando ocorrido.

Terceiro, resolvido isso, decidi que, naquele ano de 2011, iria celebrar meus 50 Anos de Carreira, como tantos estavam celebrando os anos de carreira deles. E celebrei. Cinco anos depois, em 2016, ano passado, celebrei meus 55 Anos de Carreira. E assim vai. Eu acabava de criar minha narrativa.

Quarto, como tanta gente, em especial artistas, seis anos depois de 1961, em 1967, no dia 19 de Agosto, faz 50 Anos hoje, minha carreira mudou de patamar: internacionalizou-se. Naquele dia viajei para os Estados Unidos, especificamente para Pittsburgh, PA, fundada em 1758, para continuar a estudar lá. Clique aqui para ver fotos da cidade de Pittsburgh, PA.

Fui fazer o meu Mestrado (Master of Divinity, M.Div.) no Pittsburgh Theological Seminary, um dos pilares do presbiterianismo americano, fundado em 1794, antes do Princeton Theological Seminary, só fundado dezoito anos depois, em 1812. Clique aqui para ver fotos do Pittsburgh Theological Seminary.

Pelos sete anos seguintes, até 1974, só escrevi e palestrei em Inglês. Escrevi e palestrei (na maior parte dos casos, preguei) muito. Completei meu Mestrado, fiz meu Doutorado (Philosophiae Doctor, Ph.D.), concluído em 1972 na University of Pittsburgh, fundada em 1787, sete anos antes do Seminário. Clique aqui para ver fotos da University of Pittsburgh.

Obtido o doutorado, trabalhei durante dois anos, um na California State University, em Hayward, CA. e outro no Pomona College, em Claremont, CA. Em meados de 1974 (Julho) vim para a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e me radiquei em Campinas, SP. De lá para cá, minha carreira teve importantes trechos internacionais, patrocinados pela New Educational Research Association (NewERA), no final da década de 70 e durante boa parte da década de 80, e pela Microsoft Corporation, de 2003 a 2013. A partir de 2013 fui gradualmente me desvencilhando de compromissos com os outros e passando a fazer apenas o que me interessava. Em 2013 fiz 70 anos – e todo mundo tem direito de, pelo menos a partir dos setenta, fazer (em termos) apenas o que quer, do ponto de vista profissional… E eu queria apenas escrever e pôr ordem em inúmeros escritos começados e não terminados (muitos dos quais ainda não terminados…).

É isso. Tudo isso para celebrar, hoje, 19 de Agosto de 2017, os cinquenta anos de minha ida para os Estados Unidos – o início de minha “cosmopolitização”. De lá para cá me tornei (assim é que me vejo) um Cidadão do Mundo, World Citizen, Weltbürger. Já botei meus pés em (segundo a última contagem) mais de sessenta países, da grande Suíça (grande, naturalmente, não em tamanho) ao sofrido Vietnã. Não sei em quantos deles dei palestras, mas foi em mais de vinte deles (na maior parte dos casos, intermediadas e patrocinadas pela Microsoft). De certo modo sinto-me menos cidadão brasileiro do que uma mistura de cidadão americano (pelos anos que morei nos Estados Unidos e por todo o tempo que já passei lá, por ter uma filha e duas netas nascidas lá, por admirar a história do país, sua defesa da liberdade, etc.), cidadão português (por terem meus antepassados vindos de Portugal, tanto do lado paterno, os Oliveira-Gonçalves-Chaves como do lado materno, os Claro-Godoy-Campos, havendo uma cidade em Portugal que carrega há quase dois mil anos o que veio a ser o último de meus quatro atuais sobrenomes), e cidadão suíço (por decisão e escolha, baseada na admiração e identificação, e, desde 2008, por ter me casado com uma descendente de suíços, e que de bom grado me cedeu o uso do seu sobrenome Epprecht, junto com o seu sobrenome português, Machado – que também é Oliveira, como minha avó materna).

Enfim, e assim, se em 2011 celebrei 50 Anos de Carreira, hoje celebro 50 Anos de Carreira Internacional… Pode parecer presunçosa a afirmação, mas é assim que se constroem as narrativas biográficas… Aquela artista famosa contabiliza a sua carreira a partir de um dia em que, com quatro anos, fez uma pontinha silenciosa numa novela em que o pai ou a mãe participaram na década de 60. Aquele cantor famoso contabiliza a sua carreira internacional a partir de um dia em que, com 16 anos, como integrante dos back vocals de um outro cantor famoso, cantou no Bataclan de Genebra… Prestem atenção às narrativas.

Mas há outro registro famoso, com o qual termino este artigo. Dificilmente teria escolhido, em 2011, a identidade profissional que adotei, se não tivesse me tornado, em 2004, um blogueiro – desde então um blogueiro viciado e juramentado. Fará treze anos em Dezembro deste ano. Lembro-me bem como ocorreu. Estava, com minha amiga Ana Teresa Ralston, então da Microsoft, perto do campus da Microsoft em Redmond, WA, na Grande Seattle, recebendo, das mãos do também meu amigo, Les Foltos, um treinamento de uma semana em Peer Coaching… No dia 2 de Dezembro, uma quinta-feira, no final do dia, lá, aqui no Brasil já noite, recebi um e-mail de minha amiga Márcia Teixeira, então também da Microsoft, perguntando se eu havia visto a plataforma Microsoft Space que a empresa havia criado para que seus clientes pudessem criar seus blogs. Eu não havia visto a plataforma, nem mesmo ouvido falar dela. Mas entrei no link que ela me enviou, achei a ideia e o ambiente interessantes, e criei, naquela dia, meu primeiro blog: Liberal Space (que existe até hoje, quase treze anos depois, com mais de mil artigos – celebro seu aniversário todo ano). De lá para cá “fanatizei-me” no gênero.

Por razões que não consegui entender até hoje, a Microsoft transferiu, em algum momento, os seus blogs para a plataforma WordPress – e eu mudei com minhas tralhas para a WordPress, que tem me atendido muito bem desde então. Minha única reclamação é que eles deveriam dar uma “colher de chá” (cobrando alguns serviços por usuário e não por blog) para aqueles usuários que, como eu, de forma evidente, grudaram a sua vida profissional à plataforma deles, sem objetivo financeiro, apenas para preservar, em um lugar só, o seu legado intelectual.

A adoção do blog como gênero de escrita preferencial de certo modo me prejudicou academicamente – porque coloquei no blog (oportunamente nos meus diversos blogs) materiais que poderiam ter se tornado artigos acadêmicos em periódicos com referees… Mas foi uma decisão consciente. Como, em 2003, já estava em final de carreira acadêmica, tendo chegado ao nível mais alto, optei pelo não estritamente acadêmico para ganhar maior alcance… Nisso tive razoável sucesso. Hoje tenho mais de trinta blogs (a “porta de entrada” para eles é meu “metablog” Chaves Space [https://chaves.space], embora cada um deles possa ser acessado independentemente também). Eles abrigam mais de mil e quinhentos artigos – isso sem falar no Facebook, onde tenho um perfil lotado e outro quase lotando, além de dez páginas (o que o Facebook chama de “fan page”), no Twitter, no LinkedIn, no YouTube (onde tenho o canal de vídeos ambiguamente nomeado EduCativa)…

É isso, por hoje. Deixo registrada aqui a minha gratidão a Pittsburgh, cidade que me recebeu de braços abertos a partir de 20 de Agosto de 1967, através de sua gente e de suas instituições. No segundo caso, merece ainda menção, além das duas já mencionadas, o Pittsburgh Council for International Visitors (PCIV), que me permitiu assistir de graça a concertos da Sinfônica e a jogos dos Steelers, dos Pirates e dos Penguins, times pelos quais torço fiel e lealmente até hoje.

Em Salto, no dia 19 de Agosto de 2017, à zero hora e um minuto.

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Categories: Autobio, Autobiography, Biografia, Biography, Blog, Blogging, Career, Carreira, Memórias, Memories

6 replies

  1. Jesus Cristo!
    Vida útil e importante é a sua.
    Como conseguiu fazer tanto?
    DEUS TE ABENÇOE MUITO MUITO MUITO.

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  2. Parabéns Eduardo. Tem sido um prazer ler suas mensagens e textos. Abraço e bençãos na caminhada!

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    • Caro Marlon: Obrigado pelo comentário. Posso dizer com toda sinceridade que o sentimento é recíproco em relação a você, no caso de seus livros. Espero que os dois que estavam no prelo saiam logo, pois me interessam. Um grande abraço. Vindo a SP, avise-me para que possamos nos encontrar.

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  3. Acrescento um comentário que postei no Facebook às 16h30 de 19-08-2017, complementando em parte a história:

    Cinquenta anos atrás, a essas horas (16h30), eu já havia ido de Santo André para Campinas, para pegar, em Viracopos, um avião da PanAm (PanAmerican World Airways) que iria me levar para New York. O Aeroporto de Guarulhos ainda não existia, a não ser como a Base Aérea de Cumbica, e o Aeroporto de Congonhas não podia receber aviões de maior porte, como o Boeing 707 da PanAm. Assim, o vôo que se originava em São Paulo na realidade saía do “São Paulo International Airport at Viracopos”, e fazia escala no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio, que, na verdade, era a Base Aérea do Galeão… Tudo extremamente primitivo. O vôo saiu de Viracopos por volta das 20h30, foi para o Galeão, de onde saiu para New York por volta das 23h. Exceto por um vôo de Londrina para São Paulo, em 1947, pela Real Aerovias, quando eu tinha três anos, este foi o meu primeiro vôo real. Uma senhora experiência. No Rio tivemos de descer, esperar quase uma hora, para depois reembarcar. Cheguei em New York no dia seguinte, 20-08-1967, de manhã, no aeroporto JFK. De lá peguei um vôo da TWA (TransWorld Airline) para Pittsburgh (cerca de 90 minutos), onde cheguei perto do meio-dia.

    Mas deixo para amanhã o relato de minha chegada a Pittsburgh e de minha recepção por um casal que se dispôs a me hospedar e me ajudar a me aclimatar na cidade durante uma semana…

    Antes de terminar este post, registro aqui que minha mãe (Edith de Campos Chaves) e minhas duas irmãs, Priscila Campos Chaves e Eliane Chaves de Souza (na época com o nome de solteira, Eliane de Campos Chaves, pois ela tinha apenas oito anos), me acompanharam de Santo André até Campinas. Acho que meu irmão Flávio de Campos Chaves não foi junto — pelo menos a minha memória não registra. Lá em Campinas minha tia Alice de Campos Sanvido e meu tio Anello Sanvido se juntaram à comitiva para me levar até Viracopos… Acho que foi numa Kombi que eles tinham, que a gente chamava de Ximbica. Meu pai (Rev. Oscar Chaves) não quis ir junto. Ele estava brigado comigo por causa dos incidentes do ano anterior (1966) no Seminário Presbiteriano de Campinas que resultaram na minha expulsão da instituição. Só em 1968 fomos fazer as pazes, já lá em Pittsburgh. Ele havia ido aos Estados Unidos (pela primeira e única vez) a convite do Rev. Carl McIntire, líder do Fundamentalismo Presbiteriano naquele país desde a década de 30. Nem tudo era céu de brigadeiro naquela época difícil dos anos 60.

    Eduardo CHAVES

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  4. Acrescento um segundo comentário, este postado no Facebook às 00h20 já do dia 20-08-2017, complementando mais uma parte da história:

    Bom, já é dia 20/8/2017. Domingo. No domingo, 20-08-1967, cinquenta anos atrás, nesta data, cheguei aos Estados Unidos pela primeira vez…

    O vôo da PanAm chegou a New York – Kennedy Airport (JFK) – de manhãzinha. Chegou num terminal, o da PanAm, e nele tive de pegar as malas para fazer alfândega. (Cada uma das maiores companhias aéreas americanas tinha o seu terminal no JFK). Foi meio estressante. Nunca havia falado Inglês com um negro com sotaque bem carregado. Fui fazer uma pergunta a um e não entendi bulufas da resposta. Minha confiança no meu Inglês ficou meio abalada… Procurei outro funcionário e acabei descobrindo em que carrossel estavam minhas malas. Tudo acabou dando certo. Saindo da alfândega, entreguei minhas malas de novo no setor de transferências e fui para o terminal da TWA para pegar o vôo para Pittsburgh. Com direito a trenzinho e tudo. Confesso que fiquei bem estressado.

    O vôo para Pittsburgh durou mais ou menos uns 90 minutos. Chegando lá fui recebido no aeroporto pela família de William Eichleay (ele, a mulher e a filha, uma menina de 13 anos), família que foi minha “host” por uma semana, gentileza do Pittsburgh Council for International Visitors (PCIV). O PCIV havia entrado em contato comigo (o Seminário e as demais faculdades e universidades informavam o PCIV da chegada de estrangeiros na cidade) perguntando se eu gostaria de ser hospedado por uma família durante uma semana para me aclimatar no país e ficar conhecendo os principais pontos de interesse da cidade. A família ficaria sendo algo parecido como uma “família madrinha” minha durante toda minha estada na cidade. Aceitei, naturalmente. Felizmente o Inglês deles eu entendi direitinho e, de minha parte, consegui me expressar sem problemas — e eles me entenderam. O susto foi apenas em New York, e o problema maior foi o sotaque dos negros — aquilo que alguns hoje chamam de a “a língua ebônica” (ebonics).

    Do Aeroporto de Pittsburgh os Eichleays me levaram direto para almoçar, num restaurante chique, de uma categoria que eu nunca havia conhecido. Ficava no alto de um prédio, com bela vista da cidade. Ali comi meu primeiro sirloin steak (basicamente o nosso filet mignon, mas em corte que eu nunca havia visto), depois de experimentar, pela primeira vez, um martini (três doses de gin e uma de vermouth branco seco, com uma azeitona sem caroço, on the rocks, ou seja, com gelo) — na verdade, tomei dois martinis antes de a comida chegar, e eles me deixaram meio zonzo. Fiquei torcendo para que eles não percebessem… Se perceberam, elegantemente não deram o menor sinal… Depois ganhei um tour de downtown Pittsburgh, conhecido como o Golden Triangle (Triângulo de Ouro), por ser, o centro da cidade, um triângulo formado pelos rios Allegheny e Monangahela, que, unindo-se, em Pittsburgh, formam o rio Ohio, que deslancha para o Oeste… Poucas cidades têm tantas pontes na região central como Pittsburgh. O vértice do triângulo é o Marco Zero da cidade.

    Depois do tour, fomos para a casa dos Eichleays, que ficava relativamente perto do Seminário, ao norte da cidade, num bairro chamado Etna, perto do magnífico Highland Park. Casa, para os meus padrões de então, muito bonita. Eu fiquei hospedado num quarto na parte de baixo — naquilo que seria um porão com family room, espaço de lazer (game room) e uma suite para hóspedes.

    Do dia 20, domingo, até o dia 27, domingo seguinte, os Eichleays me paparicaram. levando-me para tudo o que era local importante ou interessante na cidade. No dia 27 fui para o Seminário, onde o meu quarto me esperava no dormitório. Só então pude encontrar os meus amigos brasileiros, ex-colegas (mais adiantados) do Seminário de Campinas, que ali estavam estudando (acompanhados de suas mulheres): Waldir Berdt e a Ondina, ambos ainda meus amigos, na vida presencial e aqui no Facebook, e que residem atualmente em Florianópolis, e Elias Abrahão e Magali (neste caso, infelizmente, ambos já falecidos, ele de acidente de carro e ela de enfarte, e que viveram os últimos anos de suas vidas em Curitiba).

    As aulas só iriam se iniciar dali uma semana mais um dia, em 5 de Setembro, o primeiro dia depois da primeira segunda-feira de Setembro. A primeira segunda-feira de Setembro é feriado nos EUA, o Dia do Trabalho (Labor Day). Os mais esquerdinhas, vim a descobrir, celebram também o dia Primeiro de Maio, que chamam de “May Day”.

    Nessa semana sem aulas os brasileiros de lá, já mencionados, me levaram até Richmond, VA, ao Seminário Presbiteriano de lá, que tinha um depósito de roupas usadas fantásticas para estudantes estrangeiros. Fomos para lá no magnífico Ford Landau que o Elias havia comprado. De lá eu trouxe, no enorme portamalas do carro, uns dois ou três casacos pesados, para enfrentar o frio de dali uns três meses. Muita roupa boa… Peguei uns dois pares de botas, também, para enfrentar a neve. Eles também aproveitaram para se abastecer, embora já tivessem estado lá no ano anterior.

    Em 05-09-1967 tive minhas primeiras aulas no Pittsburgh Theological Seminary. Felizmente o Inglês dos professores era bastante fácil de entender, porque pronunciavam bem e devagar as palavras.

    É isso… Encerro por aqui esse relato.

    Eduardo CHAVES.

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