2018: Flashes Autobiográficos

Dois mil e dezoito é um ano de vários aniversários redondos (ou mais ou menos) – tanto no sentido de “birthday” como no sentido de “anniversary”.

Começo com os seis mais importantes.

Os dois primeiros. Neste ano de 2018 faço, no mês de Setembro, 75 anos de vida (birthday – nasci em 1943) e 10 anos de casado com a Paloma (anniversary – passamos a viver juntos em 2008) – respectivamente, nos dias 7 e 6. Vamos celebrar tirando uma semana de convivência a sós.

Outros dois. Em Junho, minha filha mais velha, Andrea, fez, no dia 25, 45 anos (nasceu em 1973, em Hayward, CA, EUA), e em Outubro, no dia 6, se casará (pela segunda vez), em Cortland, OH, EUA. Será o início de seu primeiro ano de casada, “em segundas núpcias”, como se diz.

O quinto dos cinco eventos mais importantes. Minha caçula, a Priscilla, faz, no dia 17, também de Setembro, 20 anos (birthday – nasceu em 1998). Como, no mesmo mês, a Priscilla faz 20 anos e faz dez anos que eu estou vivendo com a mãe dela, isto significa que metade da vida da Priscilla, minha caçula, ela viveu, por assim dizer, na minha gestão, e que, daqui para frente, o lucro é meu… Orgulho-me muito disso.

Finalmente, o sexto evento importante — este um aniversário de um evento não feliz. Este ano fez, no dia 11 de Junho, 10 anos que minha mãe, Edith morreu, quase aos 84 anos. Foi em 2008 e eu estava em Taiwan.

Outros eventos, menos importantes, são a seguir listados.

Em Outubro de 1998 haverá dois aniversários de 20 anos importantes, relacionados à Informática.

No dia 26, abri minha conta na Amazon (USA) e no dia 27 fiz minha primeira compra na gigante Livraria Virtual. Fará 20 anos este ano. O livro que comprei foi Peterson’s Distance Learning Programs (1999, 3rd Edition) e paguei 21.56 dólares pelo livro e 12.95 dólares pelo frete, num total de 34.51 dólares. O livro levou cerca de três meses para chegar. Hoje a Amazon chega a me entregar livros aqui no Brasil em cinco dias, se a alfândega brasileira em Viracopos não estiver em operação branca.

Nos dois meses seguintes comprei uma batelada de livros, todos versando mais ou menos sobre o mesmo assunto. Com eles concluí a compra de onze livros em 1998 junto à Amazon. Foram eles, em ordem inversa de compra, que se deu nos dias 5 e 15 de Novembro e 7 e 14 de Dezembro:

  • Herbert Marshall McLuhan, The Medium Is the Massage: An Inventory of Effects
  • Herbert Marshall McLuhan, The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man
  • Herbert Marshall McLuhan, The Essential McLuhan
  • Seymour A. Papert, The Connected Family: Bridging the Digital Generation Gap
  • Carmen Luke, Pedagogy, Printing, and Protestantism: The Discourse on Childhood
  • Walter J. Ong, Orality and Literacy : The Technologizing of the Word
  • Elizabeth L. Eisenstein, The Printing Press As an Agent of Change: Communications and Cultural Transformations in Early-Modern Europe(Volumes 1 and 2 in One)
  • Elizabeth L. Eisenstein, The Printing Revolution in Early Modern Europe
  • Jay David Bolter, The Writing Space: The Computer, Hypertext and the History of Writing
  • J. Chaytor, From Script to Print: An Introduction to Medieval Vernacular Literature

No total gastei 378,79 dólares (incluindo o custo da postagem). Uma fortuna.

Dois dias depois de eu ter aberto minha conta na Amazon, no dia 28 de Outubro de 1998, fará 20 anos este ano, eu iniciei duas coisas importantes:

  1. A Lista de Discussão EduTec.Net
  2. O Site EduTec.Net

Ambas as iniciativas contaram o apoio moral e financeiro da Microsoft, através da minha amiga Márcia Teixeira, então Gerente Sênior da Área da Educação no Brasil.

A Lista de Discussão chegou a ter 1.500 participantes e durou até logo depois de 9/11 – quando a fechei porque inúmeros participantes tentaram fazer dela uma plataforma de crítica aos Estados Unidos e louvor do terrorismo islâmico.

O Site continuou por muito tempo, tendo ganho uma versão profissional, patrocinada pela Microsoft.

Ambas as iniciativas, é preciso que se registre, foram pioneiras – embora a Lista de Discussão tenha sido precedida por outra Lista de Discussão, a Infed-L, esta hospedada nos computadores da UNICAMP, mas de dimensões bem mais contidas e mantida em Inglês – o que limitou o seu impacto no Brasil.

Em 2018 faz 35 anos que criei, em 1983, na UNICAMP, o Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED), que existe até hoje. Coordenei-o até 1986, quando fui Coordenar a Área de Informática e Informações, primeiro da Secretaria de Estado da Educação, e, depois, da Secretaria de Estado da Saúde, ambas do Estado de São Paulo. No primeiro caso, de Abril de 1986 até Março de 1987, na gestão do Governador André Franco Montoro e do Prof. José Aristodemo Pinotti na Secretaria, no segundo caso de Março de 1987 até Março de 1991, na gestão do Governador Orestes Quércia, novamente com o Prof. José Aristodemo Pinotti na Secretaria. Em ambos os casos o governador era do PMDB.

Em 2018 comemorei 50 anos de motorista oficializado – no mês de Junho. Isto significa que em 1968 tirei minha Carteira de Motorista, lá em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Infelizmente não me lembro o dia, mas foi para o final do mês. A minha memória me sugere dia 24, mas não tenho comprovação disso. Eu tinha 25 anos. Tirei carta tarde para os padrões de hoje. Eu já sabia dirigir razoavelmente bem – até caminhão já havia dirigido, uma vez, no Bairro do Óleo, entre São João da Boa Vista, SP, e Andradas, MG, lá pelos idos de 1963, cinco anos antes de tirar carta. Por coincidência, a Paloma, neste ano de 2018, completou 25 anos de motorista oficializada! A metade… Tirou a carta dela em 1993, ano em que fez dezoito anos.

Em 2018 fará 55 anos que concluí (tardiamente, já aos 20 anos) o meu curso secundário, modalidade Colegial Clássico, no ano de 1963, no Instituto José Manuel da Conceição, um internato em Jandira, SP, mantido pela Igreja Presbiteriana do Brasil e fundado em 1928 pelo então chamado Mackenzie College.

Indo mais para trás ainda, em 2018 fez ou fará nada menos do que 70 anos que me mudei (fui mudado, com minha família) de Marialva, no Norte do Paraná, para Maringá, um pouco mais diante (olhando daqui de São Paulo). Hoje pode parecer um enorme upgrade, mas em 1948, acreditem em mim, não era não. Maringá havia sido fundada apenas no ano anterior e consistia apenas de uma cidade, com três bairros, o Centro, o Maringá Velho e o Maringá novo, dispostos ao longo de duas ruas que ladeavam a estrada (de terra) que ia de Londrina para Foz do Iguaçu. Cenário de Far West. Nenhuma rua era calçada, não havia eletricidade, não havia água encanada, muito menos esgoto. Nossa casa era de madeira, atrás de um salão comercial onde meu pai implantou o que viria a ser a Igreja Presbiteriana de Maringá. Havia tiroteios nas ruas com frequência, porque a maior parte das terras ao redor da cidade eram griladas. Lá fui mordido por um cachorro pela primeira vez (na verdade, uma cachorra preta, que me mordeu na bunda), lá vi um menino ser atropelado por um caminhão e morrer, quase na frente de casa (era meu vizinho, duas casas distantes), lá meu pai comprou sua primeira motocicleta, uma máquina tcheca (CZK, se não me engano). E foi dessa “mardita” que caí de uma moto pela primeira vez, ficando “traumado” (como dizia uma professora de Campinas) com esse tipo de transporte para o resto da vida. Eu estava na garupa de meu pai, que me me levou para dar uma volta de moto (nunca havia andado), e, nas ruas esburacadas (mas com buracos cheios de poeira) perto da “Estação de Jardineira” de Maringá, meu pai passou num buraco e eu caí da garupa — e ele nem percebeu! Foi preciso que uns homens de um bar gritassem para ele: “Moço, o moleque caiu da garupa!”, para ele se dar conta de que eu tinha sumido e voltar me pegar… Não é para ficar “traumado”? Depois meu pai vendeu a moto e comprou uma baratinha Ford, vermelha, linda, ano 1929, e, finalmente, a trocou por um Jeep Wyllis Overland, todo blindado, com capota de aço. Ainda em Maringá fui a um circo pela primeira vez, acompanhado apenas por meu pai. Era o Gran African Circus. Fiquei impressionado. Vi o Globo da Morte pela primeira vez. Uma trapezista, de nome Neusa Matos, me deixou apaixonado: foi a primeira vez que vi uma mulher de maiô (pelo menos era assim que eu chamava a peça que ela vestia). E um palhaço, que ficou famoso, Piolin, cantou Maria Bonita e Sibonei, com uma voz linda, que não me parecia cabível num palhaço.

É isso.

Em Salto, 4 de Agosto de 2018.

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Categories: Autobio, Autobiography, Uncategorized

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