45 Anos de Volta ao Brasil

Em 7 de Junho de 1974 eu cheguei de volta ao Brasil depois de basicamente sete anos ininterruptos nos Estados Unidos. Fui para lá em 19 de Agosto de 1967 (chegando no dia 20) para estudar. Tive minha Graduação declarada concluída pelo Pennsylvania Board of Education, fiz o Mestrado e o Doutorado. Casei-me lá (pela primeira vez), tive minha primeira filha lá, e ainda por cima trabalhei lá durante dois anos, em Hayward e Pomona (Claremont), ambas as cidades na California. Foi em Hayward que minha filha mais velha, Andrea, nasceu.

Saí de lá (LA International Airport) no dia 6 de Junho, voando pela Braniff International Airways, voando para Campinas (Viracopos), via Lima. A Andrea tinha onze meses e meio e veio numa daquelas bassinettes que as companhias aéreas fornecem para bebês pequenos em voos prolongados. Ela se comportou perfeitamente.

Voltei, depois de quase sete anos, porque recebi uma proposta irrecusável da UNICAMP, que foi mediada pelo meu primo Anello Sanvido, que lá estudava Química, e recebeu o apoio de meu amigo Rubem Alves, que já trabalhava na UNICAMP. Na UNICAMP fiquei 32 anos e meio, até me aposentar, ao final de 2006. Na UNICAMP fui quase tudo que um professor pode ser, exceto Reitor: Coordenador de Curso de Graduação (Pedagogia), Coordenador de Curso de Pós-Graduação (Educação), Diretor Associado (Faculdade de Educação), Diretor (Faculdade de Educação), o equivalente a Pró-Reitor (a função de Pró-Reitor estava sendo analisada e, oportunamente, os “Assessores Especiais” do Reitor se tornaram Pró-Reitores) de Contratos e Convênios e de Assuntos Administrativos (um depois do outro). Nos meus dois anos finais na Direção da Faculdade de Educação, ocupei o cargo, no Conselho Diretor da Universidade (hoje Conselho Universitário), de Presidente da Comissão e Patrimônio – função que me criou muitos problemas e muitos inimigos na Administração da Universidade — na propriamente dita e na acadêmica.

Enfim… Minha estada nos Estados Unidos foi uma daquelas coisas não planejadas que geralmente me acontecem quando eu estou em situações difíceis (no caso, eu tinha sido expulso do Seminário Presbiteriano de Campinas e estava cursando a Faculdade de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, com dinheiro apenas para concluir apenas aquele ano de 1967), e que tornam minha situação melhor do que eu poderia ter jamais imaginado. Alguns dizem que é Providência (que me seria um tanto parcial e favorável). Eu prefiro chamar de Provincidência, algo que é mais inclusivo e menos self-centered, e que deixa espaço para que a coisa seja interpretada seja do ponto de vista da fé, seja do ceticismo, uma mistura de Providência e Coincidência, uma questão de estar no que parece ser o lugar errado na hora errada e, de repente, descobrir que estava o lugar certo na hora certa. Ir para os EUA, ficar lá sete anos, ter uma filha que nasceu lá (e voltou para lá, quando me separei da mãe dela), estudou lá a vida inteira, se formou, trabalha lá, casou-se lá, me deu duas gringas como netas, que, espero, ainda me dêem bisnetos gringos enquanto sou forasteiro aqui, em terra estranha (pelo menos para elas), como diz o hino.

Gosto de comemorar datas que me são importantes e esta é uma. Quarenta e cinco anos não são nem quatro nem cinco… São um bocado de tempo.

Minha vida teria sido totalmente outra se eu tivesse ficado nos Estados Unidos, como era o meu desejo em 1974. Voltei para cá apenas porque o emprego que me foi oferecido aqui pela UNICAMP me pagaria bem mais e me daria bem mais segurança profissional. Como me deu.

E eu, que me interesso muito pelo tema chamado “Virtual History”, fico me interrogando como teria sido minha vida se eu tivesse permanecido nos Estados Unidos. Uma coisa eu sei: eu nunca teria encontrado a Paloma. Só isso já me é razão mais do que suficiente para eu dar graças por ter voltado. E eu sou uma pessoa que gosta de ser agradecido e dar graças, mesmo que seja apenasmente (sic), como na canção de Mercedes Sosa, a la vida.

Em Salto, 7 de Junho de 2019.

ET: Se eu tivesse ficado lá, não teria encontrado esse paraíso que é “O Canto da Coruja”…

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Categories: Autobio, Autobiography

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