2019: Este foi o Ano que o Senhor Nos Deu

1. La Mise en Scène

Há um versículo na Bíblia que diz: “Este é o dia que o Senhor nos deu: regozijemo-nos e alegremo-nos nele!” (Salmos 118:24). Os cristãos, em geral, declamam este versículo no início do dia, em especial no domingo, dizendo-o no sentido de “Este é mais um dia que o Senhor nos dá…”. Mas, mesmo sem ir consultar o Hebraico (o meu está enferrujadíssimo, e nunca foi muito bom), o poeta colocou o verbo no passado (todas as traduções da Bíblia que consultei o põem no passado), deixando a impressão de que a conclamação devesse ser apropriada ao final do dia, no espírito de gratidão por mais um dia que passou e pelo que aconteceu nele: finda-se este dia que o Senhor nos deu: regozijemo-nos e alegremo-nos nele e por aquilo que ele representou!

Estamos chegando ao final de mais um ano. Devemos também dizer: “Este é o ano que o Senhor nos deu: regozijemo-nos e alegremo-nos nele!”

Não estou escrevendo esta resenha de modo algum para reclamar de 2019 (um número meio desajeitado) e para desejar que 2020 seja melhor (embora de fato deseje isso). A mensagem do poeta bíblico me deixa a impressão, em especial se contemplada, como agora, ao final do ano, de que devemos nos regozijar e nos alegrar com o ano que está findando mesmo que ele esteja longe de estar entre os melhores anos de nossa vida…

“Em tudo, dai graças” (I Carta aos Tessalonicenses 5:18) – esse “em tudo” implica que devemos ser gratos até pelas coisas não tão boas que nos acontecem, e mesmo pelas bem ruins. Este mundo não é perfeito, nós não somos perfeitos, e, por isso, por culpa nossa, ou de terceiros, ou não atribuída (isto é, sem que saibamos exatamente de quem é a culpa, se é que ela é de alguém), muita coisa acontece que preferíamos que não tivessem acontecido.

Assim, ainda que 2019 esteja longe de estar entre os melhores anos de nossa vida, devemos procurar nele o que de bom ele trouxe, no plano pessoal e no plano nacional, e ser agradecidos pelas suas “bondades”. Vamos achar muita coisa, creiam-me.

Mas, ligando com o que disse em parágrafo anterior, devemos ser gratos até pelo que nos aconteceu neste ano que não foi tão bom, ou que foi efetivamente ruim, isto é, pelas “maldades” de 2019 – e que as houve, também é verdade…

2. A Gratidão pelas Coisas Ruins

Antes de passar a listar algumas das bondades de 2019, no plano pessoal e nacional, queria analisar um pouco mais essa noção de que devemos ser gratos até mesmo pelas coisas não tão boas, ou pelas coisas verdadeiramente ruins, que nos acontecem. Isso é parte da visão judaico-cristã do mundo. Não nos esqueçamos de que, apesar de o poema em questão estar incluído na Bíblia cristã, ele é parte da Literatura de Sabedoria da Bíblia judaica… O salmo começa com “Dai graças ao Senhor porque ele é bom” (Salmos 118:1).

A narrativa poética da criação do mundo afirma sempre, ao final de quase todos os seis dias em que se imaginava que Deus houvesse criado o mundo, que “Deus viu que (aquilo que havia criado naquele dia) era muito bom”  (Gênesis 1:4, 1:12, 1:18, 1:21, 1:25, 1:31). Ao final da criação, Deus, fazendo uma avaliação geral, a partir de sua perspectiva divina (não me perguntem como o autor da narrativa teria chegado a ela) concluiu: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31).

“Tudo quanto fizera” inclui baratas e escorpiões. Tudo inclui a malvada serpente que engabelou a inocente Eva (nuazinha da silva). Tudo, na verdade, inclui até mesmo o diabo (o “coisa ruim”), que, segundo a tradição judaico-cristã, foi criado por Deus, como tudo o mais que existe – neste caso, possivelmente, de forma indireta, a crer nos teólogos. Os que se imaginam entendidos nas coisas da Bíblia procuram isentar Deus da responsabilidade pelo mal no mundo, insistindo que Deus não criou o diabo (Satanás): Deus teria criado uma pessoa pura e boa (um anjo de luz chamado Lúcifer) que acabou por se tornar, por sua própria escolha e iniciativa, não por decisão divina, o detestado Satanás… A queda de Lúcifer teve lugar antes mesmo da queda de Eva e Adão… (Vide a esse respeito o artigo de Wayne Blank, “Did God Create the Devil?”, in Daily Bible Study, http://www.keyway.ca/htm2002/creatdev.htm). Que seja: posso conviver com isso… 🙂

Mas se tudo o que Deus criou era bom, como se explicam os sofrimentos e dores, que mais cedo ou mais tarde, uma hora ou outra, nos sobrevêm, como se explicam as coisas ruins que nos acontecem?

Novamente reportando aos teólogos, eles têm uma explicação dupla para esse fato.

De um lado, coisas ruins nos acontecem em decorrência de nosso livre arbítrio. Somos livres. Podemos fazer o que queremos. Mas não somos livres para escapar das consequências daquilo que fazemos. Nossos sofrimentos e dores são, em grande medida, decorrentes de ações livres – de nós mesmos, ou de terceiros.

De outro lado, porém, há sofrimentos e dores que resultam, não das ações livres de seres humanos, mas das forças da natureza – natureza esta criada por Deus, segundo a teologia. É mais difícil isentar Deus de culpa pelos raios, pelos terremotos, pelos tsunamis, pelas enchentes, etc., do que (digamos) pelos pisoteamentos em Paraisópolis… Mas para um bom teólogo tudo é possível. A principal teodiceia (estratégia destinada a isentar Deus de culpa pelos sofrimentos e dores causados por nós mesmos, por outrem, e por fenômenos naturais) é admitir que Deus é responsável, sim, pelos fenômenos naturais, mas ressalvar que os sofrimentos e dores que eles nos causam têm um objetivo nobre que os justifica (um bem maior, por assim dizer): provar-nos, depurar a nossa alma, reforçar as nossas virtudes, tornar-nos melhores, aperfeiçoar o nosso caráter… (da mesma forma que a dor física de uma injeção se justifica pelo bem maior que ela nos traz, a recuperação de nossa saúde ou a imunização contra doenças futuras).

É nesse contexto que devemos encaixar a questão levantada atrás: por que, na tradição judaico-cristã, devemos ser gratos até mesmo pelas coisas não tão boas, ou verdadeiramente ruins, que nos acontecem? A resposta é que elas são parte da estratégia que Deus usa para nos tornar melhores, para nos aperfeiçoar, para aprimorar o nosso caráter.

Resumindo, há quatro tipos de fatores que podem nos causar sofrimentos e dores:

  • Ações que nós mesmos escolhemos e decidimos realizar e que têm consequências nefastas, pelas quais somos totalmente responsáveis (fumar, tomar droga, ingerir bebida alcoólica em excesso, comer demais, trabalhar demasiado, não cuidar de nossa saúde, etc.);
  • Ações que terceiros escolhem e decidem realizar e que têm consequências nefastas, não sobre eles, mas sobre nós, pelas quais não somos nós os responsáveis, mas, sim, os terceiros que as realizaram – mas que não deixam de nos causar sofrimentos e dores (assaltos, assassinatos, atropelamentos, acidentes de carro em que não tivemos nenhuma culpa, etc.);
  • Ações causadas por nós mesmos ou por terceiros mas que se devem a fatores fortuitos pelos quais é muito difícil atribuir responsabilidade e, por conseguinte, culpa: alguém (como Stephen R. Covey) estava andando tranquilamente de bicicleta quando a roda da frente da bicicleta bateu em uma pedra, ele caiu e bateu a cabeça em uma rocha, morrendo instantaneamente;
  • Fenômenos naturais – aquilo que os americanos chamam (até mesmo em formulários de seguros) de Ações Divinas (“Acts of God”), a saber: raios, terremotos, tsunamis, enchentes, etc. — até mesmo a morte súbita de alguém que parecia estar vendendo saúde.

Sofrimentos e dores causados pelas ações contempladas em “a” e “b” têm causas humanas e são de responsabilidade de seres humanos. Mesmo assim, no caso “b”, elas não são de responsabilidade nossa, embora seus efeitos se produzam em ou sobre nós. Nos casos “c” e “d” (mas não exclusivamente) é que entra em cena a doutrina da provação, do aperfeiçoamento do caráter, etc. – embora essa doutrina possa também ser invocada no caso “b”, e, talvez, até mesmo em algumas ações contempladas em “a” (como no caso de pessoas que, com a melhor das intenções, e sem saber que trabalho em excesso pode prejudicar sua saúde, trabalham mais do que deviam), e, assim, acabam por destruir a sua saúde física ou mental – ou alguns dos seus relacionamentos, em especial o seu casamento.

Essa teoria recebeu um tratamento sofisticado nas mãos de alguns escritores inspirados por ideias produzidas por Viktor E. Frankl (Man´s Search for Meaning, 1946). Vou me concentrar no aproveitamento que Stephen R. Covey (o que morreu da queda da bicicleta) fez delas, em especial em seu famoso livro The 7 Habits of Highly Effective People, 1989.

Há coisas que estão sob nosso controle e há coisas que não estão sob nosso controle. Nas primeiras podemos interferir, escolhendo entre alternativas e decidindo o que fazer. Nas segundas não podemos interferir: elas acontecem ou não, independentemente de nós. Mas, mesmo no caso destas, nós temos total controle sobre a nossa reação ao que acontece. Uma pessoa perde o emprego e se deixa desestruturar, julga-se um fracasso, não reage, vive do pouco que sobrou dos bons tempos e, no fim, acaba indo morar debaixo da ponte. Outra pessoa perde o emprego e resolve trabalhar por conta própria, torna-se empreendedor, e acaba por ficar milionário. Não se trata de sorte (no segundo caso) e azar (no primeiro): trata-se de decisões diferentes que foram tomadas pelas pessoas. Entre o acontecimento (a perda do emprego, por decisão da chefia no local de trabalho) e as consequências que essa perda traz há um espaço de liberdade em que podemos escolher a reação que vamos ter ao que nos ocorreu. Sempre. E as consequências dependem da escolha feita e da decisão tomada – não mais do acontecimento inicial, mas por algo mais importante: uma escolha ou uma decisão, que se interpõe entre o acontecimento inicial e as consequências posteriores.

É isso que explica por que há gente que nasce rica e morre pobre e gente que nasce pobre e morre rica. Ou, se se preferir mudar os termos para feliz e infeliz, em vez de rica e pobre, a mesma dinâmica continua a se aplicar.

3. O Ano 2019 no Plano Pessoal

Voltemos a 2019.

Pessoalmente, neste ano de 2019 entrei no meu septuagésimo sétimo ano de vida. Sete sete: dois setes seguidos. Sete sete é bem mais do que sete ao quadrado (uma vez e meia!). Dizem que sete é número da sorte: se for, dois setes representariam sorte multiplicada por onze (que dá setenta e sete)… Mas terei vivido, até o final deste ano, menos de quatro meses do meu septuagésimo sétimo ano. O restante, Deus querendo ou permitindo, será vivido em 2020 – que também é um número bonito: dois vintes – noves fora, quatro, que também tem um significado positivo na numerologia: temos quatro estações no ano, temos quatro pontos cardeais, temos, em princípio, quatro avós (talvez as figuras mais queridas dentro de uma família), temos quatro cavaleiros do Apocalipse, temos quatro membros no corpo, segundo alguns temos em nós, humanos, quatro partes (corpo, mente, alma e espírito), e assim vai.

De certo modo, foi um ano difícil para nós. Em outubro, perdemos a mãe da Paloma. Uma semana antes, havíamos perdido nosso caseiro. Depois, meu primo de primeiro grau teve uma perna amputada.

Quanto a mim, pessoalmente, por causa de uma decisão judicial que eu considero errônea e infundada, tive, a partir do segundo semestre, mais um corte significativo nos proventos de minha aposentadoria junto à SP-PREV. E isso inicialmente me abalou.

Para agravar a situação no plano puramente material, este foi um ano em que gastamos muito dinheiro com carros: cerca de 35 mil reais com dois carros que em diferentes momentos precisaram de consertos e reparos e com a substituição de um jipão Mitsubishi que capotou e deu perda total, forçando-nos a substituí-lo. Além disso, um dos aquecedores de água elétricos de nosso apartamento em São Paulo pifou e lá foram mais 6 mil reais…

Mas nossa reação a esses percalços financeiros felizmente foi rápida e efetiva. Resolvemos fazer um downgrade para um estilo mais simples e minimalista de vida enquanto em São Paulo (mantendo nossa residência principal em Salto). Resolvemos alugar o apartamento (grande e lindo) em que morávamos no Morumbi e adquirir um menor (embora com três quartos) para as meninas morarem e onde a gente (a Paloma e eu) pudesse ter um quarto para se abrigar quando na capital. Cortamos despesas de todos os lados. Eu reduzi drasticamente a compra de livros, deixei vencer sem renovar cerca de metade dos domínios da Internet que possuía, mantendo apenas os mais queridos e realmente necessários…

Mesmo assim, houve momento em que tive dúvidas de que fôssemos fechar o ano fora do vermelho, sem dívidas. Mas conseguimos. A contabilidade do ano está basicamente fechada, fora do vermelho e sem dívidas (exceto algumas coisas relativamente pequenas no cartão de crédito), mesmo com a aquisição e o acabamento do novo apartamento. Foi a isso que me referi no post no Facebook sobre a viúva de Sarepta no Facebook. Tudo indicava que não ia dar… Mas os dias foram se passando e, no fim, a contabilidade fechou legal, sem vermelho, e sem dívidas significativas. Despetizamos a nossa contabilidade rápido… 🙂

Em tudo isso houve uma mudança de atitude. Não deixar passar oportunidades, mas com realismo (embora um realismo ousado) e com foco em um estilo de vida mais minimalista. Por isso o apartamento é ao lado daquela que será a nova estação da Linha 4, a da Vila Sônia, para que não precisemos ter um carro para cada um da família (algo que já tivemos).

Essa experiência me fez lembrar, como relatei no Facebook, de uma situação nos idos da segunda metade dos anos 80. Então eu tinha uma boa poupança e estava trabalhando no governo do Estado de São Paulo, cedido pela UNICAMP. Minha grande amiga Ana Maria Tebar fez-me o favor de encontrar um lindo apartamento, com dois quartos grandes e um terceiro reversível, para que eu não precisasse viajar entre Campinas e São Paulo todos os dias – algo cansativo e perigoso. Eu, estando no exercício de cargo de confiança, e, por conseguinte, sendo demissível ad nutum, não tive fé no futuro nem confiança suficiente em mim mesmo de que seria capaz de conseguir pagar as prestações do financiamento necessário, em especial se ficasse sem a gratificação do cargo (algo sempre possível, na política). Ou seja: amarelei, tive medo. Assim, não comprei o apartamento, que era no último andar (23o andar) de um prédio, se não me engano na João Cachoeira, com vista maravilhosa da Paulista, de um lado, e do Morumbi, do outro. Foi o maior grande negócio que já perdi na vida. E fui punido. O dinheiro que eu tinha em poupanças e que usaria para dar a entrada no imóvel, se o tivesse comprado, foi confiscado pelo Plano Collor e eu fiquei sem ele, só recebendo uma parcela insignificante do valor inicial e muito depois. Fui roubado pelo Governo. Infelizmente, não foi a primeira, nem a última vez. (Isso só me confirmou em meu ponto de vista liberal clássico e radical, e que tem raiz em Santo Agostinho, de que governos, até os que achamos bons, não passam de um bando de ladrões – “a band of robbers”, disse Agostinho em A Cidade de Deus.)

No segundo semestre deste ano de 2019, vi-me diante de situação parecida, com o governo, agora do Estado de São Paulo, agindo como “a band of robbers”. De novo, tive receio. Mas desta vez não amarelei. E minha fé e minha confiança foram recompensadas. Cortando uma gordurinha aqui e ali, mudando de estilo de vida um pouco, o que parecia impossível se realizou, com provas evidentes de que vale a pena ter fé e autoconfiança.

E não estou defendendo Teologia da Prosperidade, ou algo semelhante.

Mas, na história bíblica da viúva de Sarepta (I Reis 17:8-24), parecia que o azeite e a farinha que ela tinha em casa não seriam suficientes nem para mais uma refeição dela e de seu filho. E eis que chega em sua casa um visitante ilustre, o profeta Elias, pedindo que ela o hospedasse e alimentasse. Ela disse que o que tinha mal daria para mais uma refeição dela e do filho, e Elias lhe garantiu que, se o acolhesse, ela não teria problema. Ela acreditou, e o abrigou em sua casa, “full pension”. Seu azeite e sua farinha deram para muitas refeições, durante vários dias, não só dela e do filho, como do ilustre visitante. E quando o filho morreu, segue a narrativa, Elias, segundo o relato bíblico, o ressuscitou. (Nesta parte final, acredite quem puder.)

Isso é, na minha forma de entender, não é uma história de milagre, mas uma parábola, que mostra que, vez ou outra, quando as circunstâncias parecem levar a isso, e sempre com os devidos cuidados e precauções, mas sem perder uma ousadia realista, é bom ter fé e confiança, na certeza de que aquilo que a gente deseja fazer vai dar certo, se a gente tiver a atitude certa e fizer os ajustes necessários. Se a gente não fizer isso, como eu não fiz no final da década de 1980, daí a coisa não tem como dar certo mesmo, e a gente perde até o que tem (como eu perdi o dinheiro que teria sido para a entrada do imóvel)… Mas notem que houve quase trinta anos entre uma coisa e a outra.

4. O Ano 2019 no Plano Nacional

No plano nacional, vou apenas transcrever algo que encontrei no Facebook e republiquei lá, fazendo algumas alterações menores…

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[Compartilho esse texto de/via minha “parente” Martha Prates Chaves. Não sei se o texto é dela, ou totalmente dela, mas o mais importante é que é verdadeiro. Fiz pequenas alterações no conteúdo (em geral acréscimos) e reformatei o texto um pouco para ficar de mais fácil leitura. Ele estava no Grupo Público “O Brasil é nosso!!”, em: https://www.facebook.com/groups/389244905264834/.]

É incrível tudo que está acontecendo no Brasil!!!

E mais incrível é que há gente que não consegue enxergar a nova história e tudo de maravilhoso que está acontecendo!!!

O Brasil nunca ouviu tantas verdades e, para alguns, isso é difícil.

O caso brasileiro é único no mundo. O que aconteceu no Brasil é muito maior do que o BRexit, é gigante perto da eleição de Trump.

Não tivemos o impacto de uma mudança radical, como a entrada em massa de muçulmanos no país, como no Reino Unido.

Não elegemos um bilionário numa eleição com apenas dois partidos, como nos EUA.

Nós elegemos um capitão do Exército, sem dinheiro, que não é um cara bonito como o Collor era, não é um orador carismático como Getúlio ou Jânio foram, e o fizemos sem que ele tivesse muito tempo na televisão, sem que ele tivesse apoio de ricaços, de celebridades, do “beautiful people“.

Nós o elegemos pela força das ideias dele, por aquilo que propunha fazer para devolver o Brasil ao seu povo, para que as cores do Brasil voltassem a ser o verde, amarelo e o azul, sepultando o vermelho odiento, se Deus quiser para sempre, de modo que os nossos jovens pudessem voltar a acreditar na política, uma política limpa, aberta e transparente, sem compra de apoio, através de cargos ou até mesmo com dinheiro vivo ou transferências para contas escondidas em paraísos fiscais.

Mostramos ao mundo a quintessência da democracia.

Bolsonaro não baixou a cabeça. Peitou algumas das maiores empresas de mídia do planeta, peitou os artistas que se achavam formadores de opinião, peitou a elite intelectual e acadêmica, peitou os movimentos e as milícias sociais que invadiam e tomavam bens públicos e privados, peitou os que loteavam e os que aparelhavam a Máquina Estatal, até o STF, peitou os que se achavam o Establishment, os Donos do Poder.

Todo o poder estabelecido convulsionava contra o candidato, numa tentativa desesperada de manter seus benefícios escusos.

E, ainda assim, ele venceu. E venceu bonito. E limpo.

Gramsci, na década de 40, disse: “Não tomem quartéis, tomem escolas. Não ataquem tanques, ataquem ideias”.

O filósofo socialista se esqueceu, porém, de que o capitalismo é criativo e evolui e, com sua evolução, DEU VOZ AO POVO, através das redes sociais.

A grande mídia não é mais o principal único, nem mesmo o principal propagador de notícias.

A escola não é mais o único, nem mesmo o principal, propagador de conhecimentos, de informações, de valores.

Com o advento das redes sociais via Internet, podemos, nós mesmos, buscar as notícias, podemos pesquisar, podemos nos informar, e, principalmente, e acima de tudo, podemos falar, podemos dizer o que pensamos, ganhamos voz, e, assim, colocamos em seu devido lugar, que é a cadeia, aquele que se pretendia um ídolo dos brasileiros desvalidos.

Atentaram contra a vida do nosso então candidato a presidente, tentaram assassiná-lo, deixaram-no fora dos compromissos de campanha.

Mesmo estando ele de pijamas e pantufas numa cama de hospital, NÓS O ELEGEMOS, contra todas as probabilidades, contra os manufatureiros e compradores de pesquisas eleitorais, contra a mídia pretensiosa que trocava apoio em troca de propaganda oficial, contra os corruptos e ladrões do PT, contra os ex-poderosos de fala macia do PSDB, como o FHC e o Alckmin, contra os eternos vendilhões de apoio político do PMDB, contra os marrentos, como o Ciro Gomes, do PDT, etc.

Derrubamos um plano de poder da esquerda (que inclui o beiçola do FHC) que tinha mais de três décadas, detentor, a partir de 2003, de uma militância violenta e um Estado aparelhado, e fizemos isso sem encostar em armas, sem NENHUMA intervenção.

Tristes dos “artistas” que não veem a beleza do movimento.

Tristes dos estudantes que não veem a importância do momento.

Eu me orgulho de ter feito e continuar a fazer parte dessa RESISTÊNCIA!

Eu me orgulho de ter lutado e continuar lutar nessas BATALHAS!

Eu me orgulho de fazer parte dessa HISTÓRIA!

“O Brasil Acima de Tudo”.

Como sabemos, “Deus Está Sempre Acima de Todos” – mas ele age é através de nós.

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Termina aqui a transcrição. Volto a escrever hoje, 25 de Dezembro, Dia de Natal, mas utilizando material que escrevi ou aproveitei nos últimos dias. Mas também vou fazer uso de um artigo que publiquei em 14.9.2018, justificando o meu apoio, a partir de 6.9.2018, à candidatura de Jair Messias Bolsonaro à Presidência da República.

Só decidi apoiar Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil no dia em que ele foi apunhalado, 6.9.2018. Como eu não ia votar no primeiro turno, que aconteceu em 7.10.2018, porque estaria no exterior, não achava que precisava me definir até lá. Imaginava que só precisasse me definir para o segundo turno.

Mesmo assim, minha maior simpatia, no primeiro turno, ficava com João Amoêdo, um liberal, como eu, embora eu seja bem mais radical do que ele, um cara articulado, bem falante, sereno, tranquilo, simpático – gente fina e culta.

Isso não quer dizer que eu não tivesse simpatia pelo Jair Bolsonaro também – e há muito tempo. Na verdade, desde que tomei consciência de sua existência na Câmara dos Deputados. Sempre o achei pessoa íntegra, honesta, honrada, com ideias no lugar certo, e inacreditável coragem. Achava-o um homem simples, do povo – característica que de modo algum o desabonava, na minha maneira de ver. Em alguns aspectos, ele era oposto do João Amoêdo. Falava rápido demais, atropelava-se a si próprio, não era sereno e tranquilo. Às vezes, quando estava irado (a maior parte das vezes, com toda a justificação), não era simpático, nem muito menos fino e culto. Seu riso era meio exagerado e, de vez em quando, dependendo do contexto, soltava um palavrão (mas de forma sempre apta). Foi isso, em parte, que levou muita gente fina e culta, alguns, pessoas de bem, a considerá-lo meio chucro, tosco, mal acabado, com verniz barato, daquele que cobre os móveis pobres das lojas populares.

Para mim, uma vez mais, esses fatos não o desabonavam, de forma alguma, porque eu gostava de vê-lo desancar o PT e a esquerda, dizendo as verdades que ninguém mais tinha coragem de externar neste país. Sempre convivi bem com gente como o Bolsonaro, inclusive em minha própria família. Sinto-me extremamente bem como sitiante. Tenho sítio mesmo, não chácara de fim de semana. O sítio tem vaca, cavalo, cabrito, porco, galinha, pato; plantação de berinjela, pimentão, feijão, aveia, milho; fedor de adubo no ar em alguns momentos, e fedor do chiqueiro de porcos, quando o vento vem do lado do chiqueiro  para a direção da casa… Apesar de ter concluído meu doutorado em meados de 1972, dias antes de completar 28 anos, e de ter passado, na sequência, 35 anos como professor universitário, aposentando-me no final de 2006, prefiro os ambientes mais rústicos e as companhias mais simples às companhias mais cultas e aos ambientes mais refinados, embora consiga me virar nesses contextos e com esses relacionamentos também. Assim, sempre tive simpatia pelo Jair Bolsonaro – e sempre achei o FHC, por exemplo, um fresco vaidoso e cheio de si (um “bochecha nadegosa”, para usar a expressão de um colega meu da UNICAMP, de Piracicaba, também simples como eu, para traduzir “cara de bunda” para linguagem mais fina e culta… Um cara de bunda beiçola, como o Gilmar Mendes, que ele ajudou a colocar em órbita).

Enfim… estava deixando a coisa correr para decidir o que fazer no segundo turno (quando já estaria de volta no Brasil), apenas quando fosse estritamente necessário. Pensava até em não votar nem mesmo no segundo turno, usando da permissão que a lei me dá em decorrência de minha idade.

Isso, até o dia do atentado contra a vida de Jair Bolsonaro por um ex (?) militante do PSOL. Naquele dia, e no momento que eu soube, lá em Buenos Aires, decidi apoiar o Bolsonaro, na certeza de que não conseguiríamos sobreviver mais quatro anos com alguém da esquerda (Lul’Haddad, Canga’Ciro, Marina) na presidência da nação. Como sabemos, o PT tem envolvimento com várias mortes (Celso Daniel, Toninho de Campinas, mais sete envolvidos na investigação do primeiro assassinato — no mínimo). Concluí ali que nem o Alckmin é duro o suficiente para com a esquerda para fazer a limpeza que precisa ser feita no cenário político do nosso país. O Alckmin é soft and mellow demais. Muito Opus Dei… E concluí, também, que, se o Bolsonaro não ganhasse a eleição já no primeiro turno, haveria um sério risco de ele não ganhá-la de forma alguma, mesmo que fosse o mais votado no primeiro turno, porque os demais iriam se juntar contra ele, no segundo turno. Por isso, concluí, precisaríamos fazer de tudo, especialmente enquanto ele estava hospitalizado, e não podia fazer campanha nas ruas, para tentar colocá-lo no Planalto já em 7 de Outubro, sem segundo turno – especialmente usando a Internet e, nesta, as Redes Sociais. Comecei a trabalhar no mesmo dia – para choque de algumas pessoas que não me conheciam direito, para surpresa de outras, e para a satisfação de muitas outras que me conheciam um pouco melhor.

Revoltou-me, em especial, a reação de muitos, da esquerda, e mesmo de alguns, não tão à esquerda, ao apunhalamento de Bolsonaro. Eles tentaram pôr a culpa na vítima, algo que eles em geral repudiam, quando, por exemplo, gente sem noção culpa as mulheres pelo estupro… Revoltou-me em especial a atitude daqueles (para minha surpresa, em sua maioria, aquelas) que lastimavam que o tal militante do PSOL fosse incompetente e não houvesse concluído o seu trabalho a contento. A primeira coisa que publiquei no Facebook foi curta — uma nota dizendo: “Pelo jeito, já começaram a culpar a vítima” (6/9/2018, 19h11). Quebrei o gelo.

Na sequência, publiquei várias análises mostrando porque Jair Bolsonaro precisava ganhar no primeiro turno. Como já mencionei, achava que se ele não ganhasse no primeiro turno, mas passasse para o segundo, o que parecia quase certo, haveria muito risco de, mesmo passando ele com a maior votação para o segundo turno, ele não levar, dado o esprit de corps da esquerda. Nisso a esquerda contava com o apoio da gente de bem mais à direita, que se sentia envergonhada de votar em Jair Bolsonaro, preferindo votar, digamos, no Haddad, que, afinal de contas, se parece com o pessoal modernoso, progressista – exceto por ser capacho e limpa-pés do Lula, que, sempre que ele tenta levantar um pouquinho a cabeça, o humilha… Em 2010 Haddad, hoje sendo chamado de Dilma-2, certamente era um melhor poste do que Dilma (Dilma-1). Ambos eram ministros do Lula. Mas este fez questão de passá-lo para trás, embora mais bem preparado, daquela que se tornou uma piada nacional, quiçá internacional.

Não vou repetir essas análises aqui. Elas estão disponíveis na minha Linha do Tempo no Facebook.

Eu estava errado. O Bolsonaro não ganhou a eleição já no primeiro turno, mas ganhou-a, e bem, sem que restasse qualquer dúvida, no segundo.

Resumo aqui o que Jair Bolsonaro disse a Miriam Leitão em resposta à pergunta: “Qual é o Brasil que o senhor quer para o futuro?”, em uma das sabatinas da Globo. Eis a resposta dele:

“Eu quero um Brasil onde tenhamos um só povoum país sem divisões, de brancos e negros, héteros e homos, ricos e pobres, nordestinos e sulistas…

Eu quero um Brasil onde se respeite a família, acima de tudo, que é a base da sociedade…

Eu quero um Brasil onde a criança seja respeitada em sala de aula

Eu quero um Brasil menos violento com mais empregos.

Eu quero um Brasil negociando com o mundo todo sem o viés ideológico.

Eu quero um Brasil que invista em pesquisa e em desenvolvimento para explorar a nossa biodiversidade, e agregue valor aos outros recursos minerais que temos aqui.

Eu quero um Brasil sorridente, que se abra para o turismo, dadas as condições de segurança e infraestrutura.

Nós temos tudo, mas tudo, mesmo, para ser uma grande nação.

O que precisamos para chegar lá?

Precisamos, sim, de um homem — ou de uma mulher — que seja honesto, que seja patriota, e tenha Deus no coração.

É este o Brasil que eu quero, para todos nós.

Se esta for a vontade de Deus, eu tenho certeza que cumprirei esta missão ao lado do povo brasileiro.”

É isso. Essa resposta me confirmou na certeza de que o meu apoio a Bolsonaro havia sido certo.

Um ano depois, como confirma a passagem que transcrevi antes, de Martha Prates Chaves, não tenho dúvida alguma de que meu voto em Bolsonaro foi certo.

O discurso emotivo e emocionante de Bolsonaro no culto realizado no Planalto no domingo, 22.12.2019, é exemplo de que temos nele um homem de fé, sensível, mas ao mesmo tempo de casca dura, e implacável no combate ao erro, em especial na luta contra a corrupção. Quem ainda não assistiu ao vídeo do discurso, que o faça agora: https://www.youtube.com/watch?v=QfW_bNLPjWg.

Houve quem tentasse caracterizar suas lágrimas como fingidas, como parte de um dramalhão mexicano montado para enganar trouxas. Eu tenho certeza de que elas foram sinceras, porque, como ele, ganhei de presente uma segunda vida, quando sobrevivi um infarto agudo do miocárdio em 1.3.2002. Eu sei o que é sentir-se no vale da sombra da morte e, aos poucos, sair de lá – ou ser tirado de lá. E não há desprezo maior do que o que sinto pelas pessoas que desejaram que o animal que quase matou Bolsonaro em Juiz de Fora tivesse sido mais competente na incumbência que recebeu, ou que o tombo que Bolsonaro levou recentemente no Palácio da Alvorada tivesse tido a mesma consequência que o tombo do Gugu Liberato. Teve gente que perguntou: “Por que o Gugu, e não ele???” Desprezo com toda minha energia os vermes que dizem coisas como essas. Estou certo de que vocês serão bem recompensados na hora certa – porque ela virá. E quando isso acontecer, se eu ainda estiver vivo e ouvir a notícia, simplesmente a ignorarei com um piparote de desdém.

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Para terminar. Finda-se este ano que o Senhor nos deu. Olhado da perspectiva certa, 2019 was a very good year… Regozijemo-nos e alegremo-nos nele e por tudo aquilo que ele representou — e pelo que pode ainda representar nos anos que vêm, como ano de passagem, transição e travessia que é.

Em Salto, 25 de Dezembro de 2019



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