A Verdade e a Mentira (Fantasiada de “Pós-Verdade”)

Vou fazer algumas considerações sobre um problema sério. As considerações são oportunas, a meu ver, na sequência das mentiras que os petralhas (capitaneados por Lula) têm divulgado, com a maior cara-de-pau, como se fossem verdade – sobre o mensalão e especialmente o petrolão. Eles mentem sem o menor pejo e constrangimento, levados pela tese de que o que vale, em última instância, é uma narrativa que possa prevalecer, ludibriando a verdade, não a evidência (os fatos e os argumentos) que é o fundamento da verdade, elementos esses que são o alicerce da racionalidade.

Vi-me levado a tecer essas considerações provocado pela leitura do livro Weaponized Lies: How to Think Critically in the Post-Truth Era (Mentiras Usadas como Armas: Como Pensar Criticamente na Era da Pós-Verdade), de Daniel Levitin (Dutton, 2016, 2017 – Kindle Edition).

Levitin defende algumas teses importantes – que nos reportam à era clássica e medieval (passando por cima do ceticismo e do relativismo que caracterizou a era moderna e que continua a caracterizar o que alguns chamam de era pós-moderna). Entre essas teses estão as seguintes, aqui elaboradas em minhas palavras:

  1. A verdade existe – e, por conseguinte, também a não-verdade (isto é, a falsidade, que, em alguns contextos, nada mais é do que a mentira);
  2. Poucas coisas são tão importantes como um compromisso consciente e deliberado com a verdade e com a rejeição da falsidade (ou mentira); z
  3. Tanto a verdade como a falsidade (ou mentira) consistem de enunciados (ou proposições);
  4. Embora possa haver verdades que não são conhecidas como tal, num determinado contexto (tempo e lugar), é possível conhecer a verdade acerca de um número considerável de coisas;
  5. Chega-se à verdade ou à falsidade de um enunciado cotejando-o com a realidade, isto é com fatos, cotejo esse que se faz através de argumentos;
  6. Um enunciado é verdadeiro quando é possível demonstrar, através de argumentos, que ele corresponde aos fatos; e falso quando não existe essa correspondência;
  7. A impossibilidade de demonstrar, num determinado contexto (tempo e lugar), tal correspondência não implica, necessariamente, a falsidade do enunciado ou a verdade de seu contrário ou contraditório;
  8. Se houver evidência (fatos costurados por argumentos) tanto a favor de um enunciado, como contra ele, a melhor atitude a tomar é suspender o juízo, não o declarando nem verdadeiro, nem falso “for the time being”, isto é, enquanto durar essa situação;
  9. Não há “dois lados” em relação a uma história quando um dos lado é comprovadamente uma mentira;
  10. Só se pode dizer que uma história tem dois lados quando existe evidência, consistindo de fatos como de argumentos, tanto a favor como contra o que a história alega;
  11. Em casos assim, pessoas razoáveis ou racionais podem discordar sobre o peso que dão à evidência e, por conseguinte, à conclusão que essa evidência permite derivar dos fatos e argumentos relevantes;
  12. Jornalistas — e o mesmo vale para todo o resto de nós — precisam parar de dar igual tempo, atenção e consideração a opiniões que, não tendo nenhuma sustentação em fatos e argumentos, não podem ser consideradas o “outro lado” de uma verdade comprovada;
  13. Jornalistas — e o mesmo vale para todo o resto de nós – não devem recorrer a eufemismos (meias-verdades, pós-verdades, etc.) em vez de designar como falsidade ou mentira enunciados que conflituam com enunciados comprovadamente verdadeiros;
  14. Todo mundo tem direito, naturalmente, às suas opiniões, mas ninguém tem direito de inventar evidências recorrendo a não-fatos, como se estes fossem fatos, e procurando construir argumentos em cima deles;
  15. Falsidades e mentiras são alegações que não se sustentam em fatos e que, em muitos casos, frontalmente contradizem fatos mais do que comprovados;
  16. A verdade existindo e sendo ela conhecível enquanto tal, uma era que se considera centrada na “pós-verdade” é uma era que opta, consciente e intencionalmente, pela irracionalidade;
  17. Não devemos, em um compromisso com uma suposta sensibilidade, deixar de chamar de mentirosos os que não têm nenhum compromisso com a verdade e a evidência (representada pelos fatos e argumentos relevantes);
  18. Uma era comprometida com a pós-verdade é uma era comprometida com a mentira, que ignora, ou mesmo tenta reverter, todos os grandes avanços que a humanidade já fez.

Quem hesita em aceitar essas considerações, precisa ler, com urgência, as mentiras que Gleisi Hoffman não tem vergonha de afirmar em sua entrevista à Folha de S. Paulo, publicada na edição de 29/1/2018.

Em Niagara Falls, já no dia 30 de Janeiro de 2018.

 

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Categories: "Pós-Verdade", Mentira, Verdade

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