Como se Referir a Idades

Muita gente frequentemente se enrola ao se referir a idade das pessoas.

Enquanto tomava café da manhã, minha mulher ligou a TV e ela estava sintonizada na Globo. Resultado: Ana Maria Braga. Ela entrevistava uma mulher que se referiu a algo (acho que um conjunto de dois programas de lazer ou formação) que podiam ser desfrutados ou cursados por crianças e adolescentes com a seguinte idade: o primeiro, por crianças de até 12 anos incompletos; o segundo, por adolescentes de 12 anos completos em diante.

Fiquei me perguntando: por que não dizer, o primeiro, por crianças de até 12 anos incompletos; o segundo, por adolescentes de 13 anos incompletos em diante. Assim se manteria uniformidade para se referir a idades.

Sou totalmente a favor dessa forma de se referir à idade das pessoas – e creio que deveríamos uniformizar.

Eu, por exemplo, nasci em 7 de Setembro de 1943. Estou vivendo atualmente meu septuagésimo quinto ano de vida. Tenho, portanto, para usar as duas formas de designar a idade, 74 anos completos (completei-os em Setembro do ano passado) ou 75 anos incompletos. É importante registrar que a idade de 74 eu já a completei. Se eu vier a morrer hoje (Deus o livre!), eu terei morrido durante o meu septuagéstimo quinto ano de vida, ou seja, ao longo dele (e não com 74 anos, como normalmente se diz, porque os meus 74 anos foram completados no ano passado e eu os sobrevivi por completo).

Right?

Por que isso é importante. Minha mulher (que discorda de mim a esse respeito, como em muitos outros) me deu um bom exemplo. Na Pousada do Rio Quente crianças não pagam. Até que idade? Antigamente, a norma dizia que crianças de até 12 anos não pagavam. Isto deveria ser interpretado como? A criança que completou 11 anos e está “com 12 anos incompletos” (vivendo seu décimo segundo ano) paga ou não? A resposta era que ela claramente não paga. Mas e o adolescente que já completou 12 anos e está “com 13 anos incompletos” (vivendo seu décimo terceiro ano) paga ou não? A intepretação da Pousada era de que também ele não pagava. Para evitar dúvidas, eles agora dizem (segundo me assegura a Paloma) que crianças e adolescentes de até 13 anos incompletos não pagam – passam a pagar a partir do dia em que completam seu décimo térceiro ano de vida – e passam a viver o seu décimo quarto ano de vida. Em outras palavras: enquanto a criança tem 12 anos completos mas ainda não completou seu décimo terceiro ano, embora o esteja vivendo, ela fica na Pousada de grátis.

Se a gente uniformizasse os usos linguísticos, ficaria mais fácil, não é? Mesmo que isso envolva mudança de hábitos arraigados. Lembro-me de quando o Professor Eduardo Portella foi nomeado Ministro da Educação. Bom conhecedor da língua, ele preferia que o chamassem de Professor Portella – porque ele era Professor e apenas estava Ministro (com ficou logo evidente).

Na época pareceu estranho, um preciosismo. Mas se a gente está se acostumando a dizer que fulano é homem, mas está mulher, acostuma-se com qualquer coisa, não é verdade? Nem todo mundo ainda se acostumou a essa forma de dizer as coisas, como Rubens Ewald Filho descobriu ao comentar o último Oscar, quando observou, para os incautos, que a pessoa que estava entregando o Oscar, embora estivesse (parecesse) mulher, era na realidade homem…

Em São Paulo, 26 de Abril de 2018

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Categories: Linguagem, Uncategorized

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