Minha Iniciação na Filosofia

Meu primeiro contato formal com a Filosofia, e a ocasião em que me apaixonei por essa disciplina, foi no primeiro semestre de 1964, quando eu estava no primeiro ano do Seminário Presbiteriano de Campinas. O título da disciplina era Introdução à Filosofia, e ela durava o ano letivo inteiro (dois semestres letivos). O primeiro semestre era mais introdutório à Filosofia como um todo, o segundo mais dedicado à Ética e à discussão de questões morais e políticas.

O professor foi meu querido Rev. Francisco Penha Alves, apelidado de Chicão, por seu tamanho e por sua voz tonitruante (embora um pouco rouca). Irritava-se com certa frequência, e o objeto de sua irritação em geral eram a ignorância, a burrice e a mediocridade. Tinha fama de ser meio esquerdinha naquela igreja extremamente conservadora que era (e continua a ser) a Igreja Presbiteriana do Brasil, porque ele, entre outras coisas, defendia a Justiça Social. Foi nas aulas dele que ouvi o conceito pela primeira vez, e a explicação acerca da diferença entre a Justiça Social e a Justiça Clássica.

Tenho os quatro livros que o Chicão usou com texto básico ao longo do curso — nenhum em Português, para obrigar a gente a ler em Inglês.

Os dois livros principais, usados no primeiro semestre, foram:

  1. Harold H. Titus, Living Issues in Philosophy: An Introdutory Textbook, 4th edition, 1964 (!), American Book Company, New York. (As três primeiras edições eram de 1946, 1956 e 1959). [Titus era professor no Denison College, em Granville, OH, não muito longe de onde mora minha filha hoje].
  2. George Thomas White Patrick, Introduction to Philosophy, Revised Edition, 1952, Houghton Mifflin Company, New York. (A edição original era de 1935, e a revisão se deu com o auxílio de Frank Millar Chapman. [Patrick era professor na University of Iowa].

Os dois livros principais, usados no segundo semestre, foram:

  1. Harold H. Titus, Ethics for Today, 3rd edition, 1957, American Book Company, New York. (As duas primeiras edições eram de 1936 e 1947)
  2. John L. Mothershead, Jr., Ethics: Modern Conceptions of the Principles of Right, 1955, Henry Holt and Company, New York. [Mothershead era professor na Stanford University.]

Por algum milagre, tenho também, cuidadosamente arrumadinhas, minhas anotações feitas em classe e a partir das leituras. Foram feitas em fichário de quatro argolas. Eu escrevia a mão, quando em sala de aula, e a máquina, quando no meu quarto. Também usei essas folhas para as provas (escritas a mão) e para os trabalhos feitos em casa (escritos a máquina), que também foram preservados. Tenho essas folhas todas até hoje, semi-encadernadas. Vou tirar umas fotos e acrescentar a este artiguete. Considero-as uma verdadeira preciosidade. São as minhas primeiras produções filosóficas, feitas em 1964, 55 anos atrás. Representam a minha iniciação na Filosofia.

ET: Ontem, 08.11.2019, enquanto redigia um trabalho destinado a apresentação em um Grupo de Estudos da Faculdade de Educação do Centro Universitário Adventista de São Paulo, Campus de Hortlândia (UNASP-SP), fui ler um livro interessante, de George R. Knight, filósofo adventista, que trabalhou na Andrews University. O título do livro é Educating for Eternity: A Seventh-Day Adventist Philosophy of Education (Andrews University Press, Berrien Springs, 2016, encontrei, como um dos motes, a seguinte afirmação, que eu endosso totalmente:

An education that fails to consider the fundamental questions of human existence—the questions about the meaning of life and the nature of truth, goodness, beauty, and justice, with which philosophy is concerned—is a very inadequate type of education.

[“Uma educação que deixa de considerar as questões fundamentais da existência humana — as questões acerca do sentido da vida e da natureza da verdade, do bem moral, da beleza e da justiça, com as quais a filosofia se ocupa — é uma educação de um tipo muito inadequado.”]

O autor dessa passagem é ninguém menos do que Harold H. Titus, e ela saiu exatamente do livro que me serviu, em 1964, 55 anos atrás, de primeiro texto de Filosofia, p. 504, da 4a. edição, que foi a que eu usei naquele ano. Coincidências não param de acontecer em minha vida. Quem sabe é a providência tentando me dizer alguma coisa…

Harold H. Titus & George R. Knight

Em Salto, 9 de Novembro de 2019.



Categories: Philosophy, Uncategorized

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