Os Meus Seis Melhores Professores

Os seis melhores professores que tive em toda a minha vida foram:

1. Profa. (Dona) MERCEDES DA SILVEIRA LOPES (que, depois, se casou se tornou MERCEDES LOPES FERRAZ), no quarto ano do Curso Primário, no Grupo Escolar “Professor José Augusto de Azevedo Antunes”, em Santo André, SP, no ano de 1955. Ela me fez acreditar que eu poderia estudar e aprender o que eu quisesse na vida e ser, também, qualquer coisa que eu me propusesse a ser.

2. Profa. (Dona) MARIA ELZA FERNANDES FIUZA TELLES, minha professora de Francês, no Instituto José Manuel da Conceição (JMC), em Jandira, SP, durante três anos (1961-1963). Nos primeiros dias do ano de 1961 ela percebeu que eu sabia bem mais Francês por já ter estudado bastante durante o Ginásio em Santo André, e decidiu me dar aulas particulares durante os três anos que eu passei no JMC. Isso fez toda a diferença na minha aprendizagem e na minha autoestima.

3. Prof. ERNEST MANUEL ZINK, do Instituto Goethe, meu professor de Alemão, durante um ano (1966), em Campinas. Eu já sabia um pouco por ter estudado com o meu grande amigo Waldir Berndt. Na entrevista inicial o Prof. Zink me convenceu a fazer em um ano, com ele, os seis estágios do Curso de Alemão que ele dava. Fiz os estágios 1-3 no primeiro semestre e 4-6, no segundo, tendo quatro horas de aula de Alemão todas as noites. Depois de um ano fiz o exame escrito e oral no Instituto Hans Staden em São Paulo e fui aprovado com 9.5. O Prof. Zink me convenceu de que eu era capaz de fazer mais do que eu próprio acreditava ser possível.

4. Prof. Dr. FORD LEWIS BATTLES, que foi meu professor de História da Igreja na Idade Média e na Era Pré-Moderna, que inclui a Reforma Protestante, por três anos (1967-1970), no Pittsburgh Theological Seminary, e meu professor de Metodologia do Estudo da História e Crítica de Fontes, durante meu doutorado, na University of Pittsburgh (1970-1972). Ele era (na verdade, continua sendo, mesmo depois de falecido, porque não surgiu nenhum outro) o magistral tradutor da mais bem considerada tradução para o Inglês das Institutas de Calvino (Institutio Christianae Religionis), e fiz com ele, em 1969-1970, um Seminário das Institutas, em que lemos, analisamos e discutimos a obra, de capa a capa, durante um ano inteiro. O curso começou com doze alunos e terminou com três, eu, felizmente, entre eles.

5. O quinto foi Prof. Dr. DIETRICH RITSCHL, também no Pittsburgh Theological Seminary e na University of Pittsburgh: no seminário, foi meu Professor de História do Pensamento Cristão; na universidade, de História Intelectual da Europa (História da Ideias Europeias), nas mesmas datas que Battles. Ritschl era sobrinho-neto do grande teólogo liberal do século 19, Albrecht Ritschl. As aulas deles eram extremamente cativantes, embora não fossem nunca assertivas e apodíticas, mas, sim, por causa das perguntas que ele levantava, fazendo a gente pensar, sempre mostrando a outra face da moeda, um exercício no verdadeiro pensamento crítico. Ritschl foi o mais socrático professor que eu tive. Ele não incutia crenças: ele nos fazia examinar e questionar as que tínhamos. Ele nos mostrou que acreditar com toda convicção naquilo que a gente gostaria muito que fosse verdade é sempre algo temerário, um procedimento arriscado.A verdade nada tem que ver com aquilo que a gente deseja que seja verdadeiro.

6. E, finalmente, o sexto foi Prof. Dr. WILLIAM WARREN BARTLEY III, meu Orientador de Doutorado, de 1970 a 1972, na University em Pittsburgh (Departamento de Filosofia). Ele foi orientando de Karl Popper. Nunca fiz um curso com ele nem assisti a nenhuma aula dele. Mas a orientação dele foi preciosa. Enquanto ele era meu orientador, fiz dezoito cursos de três créditos cada (48 créditos no total), na Universidade, e tirei A em todos. E ele conseguiu que eu, em tempo recorde, concluísse meu Doutorado em dois anos e três meses (de Maio de 1970 a 8 de Agosto de 1972), escrevendo uma tese de 620 páginas, sobre David Hume, o Pai do Ceticismo Moderno.

Faço este exercício motivado por uma passagem de John Steinbeck, que cito, mas não tenho a fonte:

“É comum que adultos se esqueçam de quão difícil, chata e interminável é a escola. . . A escola não é coisa fácil e, a maior parte do tempo, não é nada divertida. CONTUDO, se você tem sorte, pode ser que encontre alguns VERDADEIROS PROFESSORES. Com a melhor das sortes, você vai encontrar no máximo uns três deles durante sua vida inteira. Acredito que um grande professor é como um grande artista: há poucos deles, como há poucos grandes artistas. . . Os meus três tinham estas coisas em comum. Primeiro, todos eles amavam o que estavam fazendo. Segundo, eles não nos diziam o que aprender, o que estudar, o que vir a saber: eles catalisavam o desejo fervente de conhecer o mundo e a vida que existia em nós. Sob sua influência, horizontes de repente se abriam, o medo de se aventurar pelo novo ia embora e o desconhecido se tornava conhecível. Mas, mais importante de tudo, esta coisa perigosa, a verdade, se tornava bela, atraente e muito preciosa.”

Minha sorte é que consegui identificar SEIS, não apenas três, grandes e inesquecíveis mestres. 

Salto, 14 de Agosto de 2022. Daqui cinco dias fará 55 anos que eu saí do Brasil para estudar nos Estados Unidos. Foi no dia 19 de Agosto de 1967. Fiquei sete anos fora.



Categories: Professores

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