Por que Sou Libertário?

No Facebook, uma ex-aluna e até hoje amiga, Márcia Howard, me perguntou, publicamente (o que me dá o direito de citá-la), por que não devemos lutar pela “igualdade social”.

A mensagem dela por inteiro foi:

“Professor Eduardo, você é filósofo, educador, e historiador. Explique-me o porquê da raiva a chamada “esquerda.” Porque não podemos lutar por igualdade social?

Não gosto do PT, tampouco de Lula. Mas, entregar nosso país a interesses dos EUA não parece ser uma boa estratégia.

Você poderia também comentar sobre como a Doutrina Monroe afetou e afeta os países latino-americanos?

✨️ Obrigada

Márcia Howard“

Este artigo é minha resposta — e o artigo explica por que sou libertário, defensor da liberdade, não da igualdade social.

18 de Outubro de 2026

Márcia Howard :
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A chamada “igualdade social” é um mito que não envolve apenas essa tese. A igualdade social nunca existiu em nenhum momento e lugar da história. Você é mulher, eu sou homem. Somos filhos de pais diferentes. Sou bem mais velho do que você. Nossos caminhos se cruzaram na UNICAMP nos anos 1980-1983, quando você fez o Curso de Pedagogia. Eu era o diretor da Faculdade de Educação na época. Antes disso você fez o Colégio Técnico da UNICAMP, de 1975 a 1978. Eu fiz o Ensino Médio Humanista (Curso Clássico) de 1961 a 1963, em um colégio interno protestante (presbiteriano), o Instituto José Manuel da Conceição. De 1967 a 1974 vivi nos Estados Unidos, onde fiz o Mestrado e o Doutorado. Você eventualmente foi parar lá também.
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Somos amigos, mas somos diferentes. Cada um de nós é único, em quase todos os sentidos. Sou liberal desde 1966. Para mim o maior valor ético e político é a liberdade, não a igualdade social. Nascemos diferentes um do outro, crescemos diferentes um do outro, morremos diferentes um do outro.
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Você me pergunta “por que não podemos lutar por liberdade social?” A minha resposta é que, em uma sociedade livre (liberal, libertária), podemos lutar, se o quisermos. Mas é uma luta inglória, se a luta implica a igualdade social, econômica, cultural. Igualdade formal diante da lei é possível e muitos países a tem alcançado.
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Mas a igualdade social, econômica, cultural quem vai promovê-la? Ou é cada um por si, se desejarmos, lutando para eliminar as diferenças sociais, econômicas, culturais, com guerrilhas, guerra civil, etc., ou, então, é delegando ao estado que a busque por nós.
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Mas o estado não gera riqueza. Para promover a igualdade social, econômica e cultural ele tem de tirar de uns para dar para outros, para nivelar (equalizar) a sociedade. Não tem outra alternativa, além da revolução.
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Mas o nivelamento é por baixo. A gente consegue igualdade na pobreza, não na riqueza. Nós, no Brasil, um pelo outro, pagamos ao estado cerca de metade de nossa renda, na multidão de impostos diretos e indiretos. Em quase 30 anos de governos socialista (FHC, Lula, Dilma, Lula de novo, tirado da cadeia) será que foi feito algum progresso real, será que o pobre ficou menos pobre, mais igual ao rico? O Lula, sim, ele ficou biliardário e, com ele, uma “tropa de elite”, os seus cupinchas, porque eles estavam no poder e roubaram tudo o que podiam. O Lula é ladrão, o filho dele é ladrão, o irmão padre é ladrão. Há provas disso. O resto é sonho de socialista.

Você diz, em sua mensagem, que “entregar nosso país a interesses dos EUA não parece ser uma boa estratégia”. Você protestou quando, na eleição de 2022, o Brasil entregou o seu destino aos EUA, através de acordos com o Governo Biden, para impedir Bolsonaro de ganhar — e ele de fato ganhou, há provas, só não levou. Só um cego não enxerga isso — e pior cego é o que não quer ver. Você protestou quando, neste último governo, o Lula entregou o destino do nosso país à China e a Rússia?

E quem diz que o Flávio Bolsonaro, se ganhar, vai entregar o nosso país aos interesses americanos? Ele vai realinhar a política econômica ao novo bloco que se formou nas Américas, especialmente envolvendo a América do Sul. Nós não escolhemos estar nas Américas. É destino nosso. Eu gostaria de ter nascido na Suiça, mas o que adianta querer? Nasci aqui é aqui que eu vou viver. Mas vamos nos alinhar com a China e a Rússia, em vez de com os países das Américas? É loucura fazer isso.

Enfim, a Doutrina Monroe, que vem sendo praticada desde 1823, às vezes mais, às vezes menos, é de que as Américas pertencem aos americanos. Lutamos ao lado dos americanos na Segunda Guerra. Ajudamos os Estados Unidos e a Inglaterra ganhar a guerra (pela segunda vez). Custamos a nos definir, no governo do Getúlio, mas nos definimos.

Depois da Segunda Guerra, Cuba se desalinhou, e deu no que deu. Custou para ficar óbvio, mas a aventura comunista de Cuba foi um fracasso — se bem que, em certo sentido deu certo: Cuba quase alcançou a igualdade social total: todo mundo é miserável, exceto os Castro e os demais governantes. No momento atual, na América do Sul, só o Brasil está desalinhado. O Uruguai tem uma postura diferenciada, mas vai se alinhar. O que fará um país pequeno, no sul das Américas, sendo socialista, se Bolsonaro ganhar a eleição?

Você ressalta que eu sou filósofo, historiador, e educador. (A ordem certa é esta). Eu sou libertário (tem um artigo recente meu sobre isso aqui no Facebook). Foi pensando como filósofo, estudando a história, como historiador, que eu resolvi ser educador. Mas hoje defendo a desescolarização da educação, a começar pela educação dita pública, que, aqui no Brasil do PT, não passa de doutrinação socialista.

Apesar de os EUA terem tido, da Segunda Guerra em diante, governos democratas, que se chamam liberais, mas são na verdade socialistas, eles tinha raízes firmes no liberalismo clássico que está no seu fundamento. O Trump está trazendo o país de volta para o seu destino libertário. E eu, não só por posicionamento geopolítico, mas por preferência filosófica (ética), e por conhecer bem a história do país (na verdade, dos países), sou favorável ao papel que o Trump vem exercendo neste seu segundo mandato.

Por um tempo parecia que, nas Américas, Trump era um pássaro solitário de topete alaranjado. Mas, de repente, em dois anos de governo dele, a América do Sul deu uma virada e lhe forneceu um apoio de 15 governos. Graças a Deus, mas Deus agiu por intermédio do Trump.

E, aqui no Brasil, voto para o Bolsonaro, certo de que ele vai estar alinhado com o Trump (e, não desprezível, com Israel, não o Hezbolah, o Hamas, etc. — você se esqueceu de listar uma outra coisa que eu sou: também sou teólogo…).

E quero continuar ser seu amigo, Márcia.

Um abraço.

Eduardo



Categories: Liberalism

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