55 Anos Escrevendo em Inglês… 1967-2022

Hoje, 19 de Agosto de 2022, faz 55 anos que eu saí do Brasil para ir estudar fora, em Pittsburgh, no estado americano da Pennsylvania, berço do Presbiterianismo e do Quakerismo americano, para não mencionar os queridos Mennonitas e Amish. Estudei no Pittsburgh Theological Seminary, de Setembro de 1967 a Maio de 1970, e na University of Pittsburgh, de Maio de 1970 a Agosto de 1972. Foi no dia de hoje, em 1967, que eu parti para lá, pegando um avião da PanAmerican World Airways, que saiu de Viracopos, aqui no terreiro de casa, no dia 19, às 20h, tendo uma escala no Aeroporto do Galeão (então ainda Base Aérea, não Aeroporto Internacional, mas fazendo as vezes de, e chegando, no dia seguinte, de manhã, às 8h, em New York, no aeroporto John Fitzgerald Kennedy (JFK), onde peguei um avião da TransWorld Airlines (TWA) para Pittsburgh. As duas companhias aéreas já desapareceram há um bom tempo. Em 1967 fazia apenas quatro anos que o Kennedy havia sido assassinado (em 22.11.1963).

Entre 20 de Agosto, quando cheguei lá, em 1967, e o dia 8 de Agosto, cinco anos depois, em 1972, recebi meu diploma de Graduação (BD), que eu ainda não tinha, de Mestrado (M.Div.) e de Doutorado (Ph.D). Fiquei nos Estados Unidos mais dois anos ainda, de 1972 a 1974, trabalhando na California State University at Hayward (hoje East Bay), na região de San Francisco, e no Pomona College, na região de Los Angeles. Em Junho de 1974 voltei para o Brasil, vindo direto para a UNICAMP.

Considero que, neste dia, 19 de Agosto de 1967, começou minha “carreira de escritor” em Inglês… Quase de forma obsessiva, comecei a escrever apenas em Inglês, para melhorar minha redação naquela língua. Já no ano letivo de 1967-1968 escrevi dois trabalhos dos quais me orgulho até hoje — e que aos poucos traduzindo e adaptando para o Português, para fazer um livrinho sobre alguns marcos do Protestantismo Americano. Ambos os trabalhos ficaram com mais de 100 páginas, cada. O primeiro foi sobre “The Fundamentalist-Modernist Controversy in the American Presbyterian Church”, e o segundo, sobre “The Challenge of the Social Gospel”. Escolhi esses dois temas porque, aqui no Brasil, fui acusado, na Igreja Presbiteriana do Brasil, de ser “Modernista” (“Liberal”) e partidário do “Evangelho Social” (que é uma modalidade do “Liberalismo Teológico” do século 19, tendo, no meu entender, o teólogo alemão Adolf von Harnack como inspirador). Ambos os trabalhos foram escritos para a disciplina American Church History, ministrada, em dois semestres, pelo Prof. Robert S. Paul, que era da Igreja Congregacional — que meu deu “A”, nos dois trabalhos, mas reclamou do tamanho deles, dizendo (por escrito) que se todo mundo escrevesse trabalhos de cem páginas os professores não fariam outra coisa a não ser ler trabalhos dos alunos…

Minha “carreira de escritor” em Português considero que começou em 1961, seis anos antes, quando eu estava no primeiro ano do Curso Clássico no Instituto José Manuel da Conceição, em Jandira. Escrevi meu primeiro artigo, com o título “O Pobre Muda de Dono, mas não Muda de Sorte”, numa classe de literatura brasileira com o Rev. Joaquim Machado, o “Machadinho”, digníssimo pastor e professor da Igreja Presbiteriana, e pai de minha amiga, a maestrina e organista Dorotéa Machado Kerr (que, posteriormente, se tornou minha colega na UNICAMP. Hoje tenho a honra de portar o nome Machado no meu próprio nome, graças à Paloma Epprecht Machado Campos Chaves, que m’o cedeu… Quem diria que eu entraria para a família dos “Machadinhos” também… Obrigado, Paloma, por tornar isso possível… 

Gosto de rememorar e comemorar esses marcos em minha vida que, em retrospectiva, se tornaram muito importantes.

Um ano antes de minha ida para os Estados Unidos, em Agosto de 1966, parecia que o mundo havia acabado para mim quando fui expulso do Seminário Presbiteriano de Campinas. Tive de arrumar um emprego na Robert Bosch do Brasil S/A, em Campinas, na área de Custos Industriais do Departamento de Contabilidade, então chamada de  WWK — que queria dizer, se bem me lembro, algo como Controle Financeiro da Fábrica — Werkswirtschaftkontrol, se não me engano) em fiquei morando na casa de meus tios (Anello e Alice Sanvido) e meus avós (José e Angelina de Campos), no Bonfim, não muito longe do Trevo da Bosch. Não dava para eu voltar para casa, em Santo André, depois dos incidentes no Seminário, porque meu pai não estava nem conversando comigo em Agosto de 1966. (Para se ter uma ideia, um ano depois, quando viajei para os Estados Unidos, ele nem foi ao Aeroporto de Viracopos se despedir de mim. Só foram minha mãe e minha tia Alice (e, creio, mas não tenho certeza, minhas duas irmãs, a Priscila e a Eliane). Minha mãe precisou ir de trem até Campinas.

Mas em seis meses as coisas começaram a mudar, para melhor. Fui estudar, no primeiro semestre de 1967, na Faculdade de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), em São Leopoldo, no simpático Morro do Espelho (Spiegelberg), onde ficava também o Colégio Sinodal, e, enquanto estava lá, ganhei uma inesperada Bolsa de Estudos, completa, para ir fazer minha pós Graduação (Mestrado) no Pittsburgh Theological Seminary, que comentei em um post de 8.8 deste ano, no Facebook. Esse conjunto de fatos parece ter criado um padrão em minha vida. Toda vez que algo ruim acontece, esse algo ruim acaba se metamorfoseando em algo maravilhoso, que eu nem sequer esperava. Minha tia Alice dizia que eu era um cara de sorte (ela usava uma expressão meio chula que não vou repetir aqui). Com o tempo, passei a acreditar que não era sorte. Era algo mais importante e significativo. 

Fica o registro, já feito, de forma mais resumida, no Facebook, também aqui no meu blog principal (“Flagship”), o Chaves Space

Para completar o relato da história, vide meu post “Jubileu de Ouro de meu Doutorado”, de 8.8.2022, aqui neste mesmo blog, no URL/endereço https://chaves.space/2022/08/08/jubileu-de-ouro-do-meu-doutorado/.

É isso… 

Em Salto, 19 de Agosto de 2022



Categories: Autobio, Autobiography

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